"Eu nunca faria parte de um clube que me aceitasse como sócio"

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Sexta de poesia - Cassiano Ricardo

O Relógio

Diante de coisa tão doída
conservemo-nos serenos.

Cada minuto de vida
nunca é mais, é sempre menos.

Ser é apenas uma face
do não ser, e não do ser.

Desde o instante em que se nasce
já se começa a morrer.

(a partir da citação da blogonauta amiga Deise Lessa)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Márcia

O nome dela não é Márcia. Mas pode ser que ela não goste da exposição. A Márcia é bem reservada.

Nos conhecemos há 16 anos. Eu estava numa fase ruim. Afetos desmoronados. Autoestima abaixo do nível do mar. Essas coisas que acontecem com todo mundo, de tempos em tempos. E ela era tão bonita, tão bonita.

A Márcia também não estava no melhor momento. Tinha saído de uma relação complicada. Ela não queria laços. Eu só queria garantir que estava vivo. Durou uns dois meses. Saí quebrado em caquinhos. Mas vivendo à toda.

Eu refiz a minha vida, como todo mundo refaz, de tempos em tempos. Ficamos sem nos ver. Até que a  minha companheira adoeceu de uma doença inesperada. Foram 80 dias de coma vegetativo e a morte inevitável. Muita gente fugiu. A morte é foda. A Márcia me ligou, da cidade dela. Várias vezes. Maior força.

Depois a gente fez uns trabalhos juntos. A amizade consolidou. Mas eu mudei de atividade, ela passou anos na Europa, faz tempo que a gente não se encontra.

Reparo que ainda não falei da Márcia, do seu jeito de ser. Vamos lá. Quando eu a conheci, com 20 e tantos anos, ela parecia mais velha. Muito séria, muito ansiosa em fazer tudo certo. Agora ela é mais jovem. Não. Não é nada disso. A Márcia sempre foi ao mesmo tempo. Garota e madura. Alegre e compenetrada. Estudiosa e esportiva. Forte e frágil.

Faz uns meses que a Márcia operou um câncer bem filho da puta. Eu queria ir a Campinas (não, não é Campinas), dar um abraço grande, conversar besteiras, chorar junto se precisasse. Não fui. Circunstâncias. Dei um apoiozinho à distância.

Minto. Não foram circunstâncias. É que eu não sabia se tinha essa intimidade toda, para partilhar o transe que era dela. Nós convivemos tão pouco, menina. E eu gosto tanto de você. Feliz aniversário.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Sexta de poesia - Mário de Sá-Carneiro

Vontade de dormir

Fios de oiro puxam por mim
a soerguer-me na poeira —
Cada um para seu fim,
Cada um para seu norte...

.....................................................................

— Ai que saudade da morte...

.....................................................................

Quero dormir... ancorar...

.....................................................................

Arranquem-me esta grandeza!
— P’ra que me sonha a beleza
Se a não posso transmigrar?...

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Torcedores

Torcer por uma escola de samba é diferente de torcer por um clube de futebol. Para mim, pelo menos, é. Mas acho que para todo mundo.

O típico torcedor de futebol quer que seu time ganhe de qualquer jeito. Gol com a mão, em impedimento, na prorrogação. Tem uns mais fariseus que negam esse instinto assassino. Mas mesmo esses. Se o time jogar pior, mas ganhar, está de bom tamanho.

O torcedor do samba quer que a sua escola seja a melhor. Ganhar é decorrência. Ou deveria ser. Os julgadores não são grande coisa. Mas esse é outro papo.

A percepção do torcedor pode enganá-lo. Eu gosto do Salgueiro, tendo a achar o Salgueiro mais bonito. Mas nem sempre é assim. Com frequência reconheço que a minha escola foi mal. Aí não quero que leve na apuração o que não ganhou na avenida.

Outra diferença é que em geral não há tanto ódio. O cara torce pela Mangueira. Talvez deteste a Portela. Ou a Beija-Flor. Mas não odeia todas as outras. Vai ter sua simpatia pela Unidos da Tijuca, pela Mocidade, sei lá. No futebol é ao contrário. O cara pode ter afinidade com mais um ou outro time, pode execrar especialmente um - geralmente o Flamengo ou o Corinthians -, mas sua vontade de destruir o Outro a pontapés se distribui democraticamente pelos demais.

No samba, as escolas são "coirmãs". No futebol, os times são "adversários". Isso com muito flair-play. Já notou que não tem apelido depreciativo para torcedor de escola? Ninguém é porco, urubu, pó-de-arroz, bosteiro.

Na politica devia reinar um espírito parecido com o dos sambistas. Mais ainda, não é? Afinal, o objetivo da política é conquistar a hegemonia. Ganhar apoios. Ser majoritário. Chamar todos os que pensam diferente de coxinhas, imbecis, petralhas, ladrões, traidores, etc, etc, etc... sei não, mas quero crer que não ajuda.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

A Grécia, a Espanha, o Brasil e Rimbaud

Tem gente que mistura tudo. Vê a vitória da esquerda num país periférico da Europa e vai logo no Youtube, para aprender a cantar Bella Ciao. Lembra da multidão acampada na Plaza del Sol e corre para garantir sua carteirinha do Movimento Passe Livre. Geralmente é uma turma que acha que o mundo começou anteontem. As revoltas populares do século XXI surgiram que nem o Big Bang - de variações quânticas da energia do vácuo.

A Espanha e a Grécia são exemplos extremos de fenômenos comuns ao capitalismo avançado: automação da indústria, globalização da mão de obra, precarização do trabalho, financeirização da economia, crise cíclica. Nada que a gente não possa achar no cânone do velho barbudo. O Brasil é um tanto diferente. Um país que anda precisa incorporar grandes massas ao sistema de produção/consumo. E bem ou mal vem fazendo isso. Transposições mecânicas costumam fazer muito estrago.

O Syriza surgiu de uma coalizão de esquerda, inclusive um dos partidos comunistas gregos. O Podemos espanhol não construiu um programa muito bem definido, mas tem claro viés anticapitalista. Aí vêm aqueles pressurosos em explicar que o Syriza não é tão comunista quando devia e já começou a trair os interesses da classe trabalhadora. E que o Podemos é uma geleia geral pequeno-burguesa.

Menos, gente. Menos. Vivemos tempos difíceis. A experiência socialista fracassou. Ah, não era socialismo "de verdade". Pode ser. Mas foi o que tivemos. Moldou o século XX. Do outro lado, o capitalismo aparentemente vitorioso se afoga na água rasa das suas contradições: produz demais, distribui pessimamente, entre uma crise e outra inventa seus próprios inimigos e vai à guerra. No meio disso tudo, a revolução informacional está apenas começando.´

Não custa ter cautela. Observar com atenção. Opinar com parcimônia, sabendo que toda opinião é provisória. Desconfiar de modelos. Apoiar políticas que diminuam o sofrimento humano e esperar pela alvorada com a paciência ardente de Rimbaud.

Nós tateamos, quase às cegas. Nós, que reivindicamos a tradição intelectual empírica da esquerda. Outros caminham confiantes, iluminados pelo sol artificial da ideologia. O abismo está logo ali.

Autocrítica

A autocrítica está para a tradição marxista-leninista assim como a confissão está para o catolicismo. Com duas diferenças: 1. a autocrítica deve ser pública, enquanto a Santa Madre nos poupa desse vexame; 2.a autocrítica nem sempre garante a absolvição, ao contrário - às vezes, ela é acompanhada do fuzilamento.

Dito isto, vamos à minha.

Mas antes, um preâmbulo. Quem lê o meu perfil neste blog, com o tanto de coisa que já fui e não sou mais, pode perceber que minha vida se resume a uma série interminável de erros duramente reconhecidos. A essa altura do campeonato, eu pensava estar livre de certas tarefas no movimento: carregar pau de faixa, balançar bandeira, empurrar carro de som quebrado e fazer autocrítica. Mas a cobrança é imensa. Pior: se falto ao dever revolucionário, me criticam para valer, com aquela fraternidade de Caim para com Abel. Outro dia mesmo eu fui chamado de fundamentalista marxista, eu que nem sei o que é isso!

Então, sem enrolar mais, eu confesso.

Sou ignorante. Mesmo aprendendo um pouco a cada dia. Minha ignorância é que nem o hotel de Hilbert. O conhecimento ocupa um, dois, três quartos. Não adianta. Os quartos vazios continuam infinitos.

Não sou bom. Conheci pessoas boas, que se indignavam com as injustiças do mundo, que eram solidárias com a gripe do vizinho e com os milhões morrendo de fome na China. Eu não. A China, para mim, é uma abstração. E mal conheço meu vizinho. Minha solidariedade, quando existe, é sempre construção mental.

Sou arrogante, pretensioso e cabotino. Meu atenuante: sei disso. Assim, levo ligeira vantagem sobre outros arrogantes, pretensiosos e cabotinos.

Sou irônico, ás vezes sarcástico. Só não sei se isso é tão mau. Ao contrário do soco, recentemente sacralizado pelo santo papa, sarcasmo não quebra dentes.

E o pior de tudo, custo a admitir: até nem parvo sou.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Mundo cão do trabalho

Minha filha Tereza acabou o ensino médio e queria trabalhar. Quem acompanha o blogzinho sabe que ela é disléxica, portanto não muito afeita às salas de aula. Mas trabalhar onde, sem experiência e com escolaridade marromeno? Ela descolou um trampo numa lanchonete de uma grande rede internacional.

Salário mínimo. Mas no período de experiência era menos. Trabalho direto de 10 às 5, sem horário de almoço. Uniforme: Tereza calça 39, deram para ela uns sapatos tamanho 37. Em pé o tempo todo, sem intervalo de descanso. Para sentar um pouquinho, ela fingiu que precisava ir ao banheiro.

Tereza chegou em casa morta, faminta, com os pés em chamas e uma dor nas costas desgraçada. Em compensação, trouxe um sanduíche de frango frito. Nossa, que sanduba ruim.

No dia seguinte, ela faltou ao trabalho. A moça do RH ligou, toda atenciosa. Pediu para ela voltar na segunda, que iam arrumar sapatos do tamanho certo.  Tereza foi, a meu conselho - só para dizer que não queria mais. De lá seguiu para uma escola técnica, onde vai fazer curso de auxiliar de enfermagem.

(Parêntese: eu sempre digo para a Tereza que a dislexia não a impede de nada, só demora mais e custa mais esforço. Na escola foi assim. Ela se formou no ensino médio com 20 anos. Muita sessão com a psicopedagoga e com a fonoaudióloga, Professores particulares. Mas ela conseguiu e me deu um orgulho danado. O curso agora é de um ano e meio, eu conto que vai demorar dois anos, talvez mais. Dá emprego garantido. Depois, se quiser, ela pode seguir para a faculdade.)

Voltando ao tema. O desrespeito às normas mais básicas do direito trabalhista ocorre numa franquia multinacional, na segunda maior cidade do país. Eu sugeri denunciar na Delegacia Regional do Trabalho. No sindicato, nem pensar. O Sindicato dos Comerciários está sob intervenção, porque o presidente fraudava as eleições, concedia a si mesmo um salário de marajá e nem trabalhador era, mas dono de uma empresa de táxi aéreo.

(observação - no Facebook, meu filho Daniel me corrigiu: os trabalhadores de restaurantes têm sindicato próprio, não se enquadram mais como comerciários. O Sindirefeições, que os representa, também não deve ser grande coisa, considerando que é filiado à peleguíssima UGT)

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Iluminismo

Era uma vez um grupo de intelectuais franceses. Eles não tinham muito em comum entre si, a não ser a certeza de que a razão humana era o melhor caminho para chegar à verdade. Por isso, se juntaram para escrever uma Enciclopédia. Eles queriam consolidar e reunir o conhecimento disponível no seu tempo. Eram os meados do século XVIII.

Talvez eles não imaginassem que sua maior façanha não seria colecionar o passado, mas preparar o futuro. São filhos do Iluminismo tanto a direita liberal quanto o socialismo marxista.

Estado laico, direitos humanos, liberdade de expressão, objetividade científica, combate à superstição, crença no progresso da humanidade. Não eram mais que ideias. Minoritárias, por sinal.

Sei que simplifico. Até distorço. Foi muito mais do que os enciclopedistas. É que me deu vontade de começar por eles. Sei lá por quê.

Muito estranho, o século XVIII. Na França, a burguesia resolve se livrar do poder despótico e se vê arrastada por um movimento popular que ultrapassa em muito seus propósitos de uma monarquia constitucional, ou mesmo, vá lá, de uma república bem comportada. Do outro lado do oceano, meia dúzia de sujeitos, reunidos num porão obscuro, redigem um texto onde se auto-intitulam "representantes do povo reunidos em congresso geral." Depois, saem às ruas para fazer a Revolução.

Desse jeito improvável se fundou a contemporaneidade. Até hoje tem gente que não se conforma. Os mais assumidos defendem teocracias. Os xeques da Arábia. Os fundamentalistas do Tea Party. Os sectários do Exército Islâmico. Os lamas do Tibet.

Mas também tem pré-iluministas "no armário". Até de esquerda. Esses fazem juras republicanas, mas querem um Judiciário de olhos bem abertos, para não condenar os amigos; um Legislativo amestrado, onde só se pronunciem parlamentares de bom gosto estritamente correto; e um Executivo maneta, que distribua favores entre os camaradas, enquanto deixa à míngua quem não reza pela cartilha.

Família Jota Bê - trabalho (3)


Família Jota Bê - trabalho (2)


Família Jota Bê - trabalho


Fragmentos de uma autobiografia banal - trabalho

28 de maio de 1975. Primeiro dia de trabalho no Banco do Brasil S.A. 19 anos. Às seis da tarde acabou o expediente. Saí pelo Centro, passei do ponto de ônibus sem notar, enveredei pela Avenida Rio Branco. Eu chorava de escorrer pelo rosto.

Depois melhorou. Toda quarta-feira, na hora do almoço, eu recitava um monólogo interior mais ou menos assim: Você aguentou dois dias e meio. Metade da semana. Falta só a outra metade. Você vai aguentar.

Tinha um negócio chamado "abono assiduidade": cinco dias para faltar por ano, sem justificativa especial. Bastava avisar antes, essas coisas. Uma vez, cheguei ao mês de janeiro com direito a mais quatro folgas, por causa de trabalho extra. Faltei às nove primeiras segundas-feiras.

Era a Direção Geral, assim com maiúsculas. Não tinha muito o que fazer. Sempre que podia, eu ficava estudando. Os seis volumes da História da Filosofia, de François Châtelet, foram digeridos em mais ou menos dois meses. Aí o chefe do departamento achou que estava bom demais e me transferiu para um setor com fama de ser "estiva". Antes, avisou ao meu superior imediato que eu era mau elemento. No primeiro errinho, ele resolveu me dar uma bronca daquelas. Em altos brados. Soquei a mesa e disse que exigia respeito, o mesmo que eu dava a ele. Ficamos bons amigos. Bons colegas, pelo menos.

Depois, fui trabalhar com informática. Era divertido. Eu dizia que o trabalho era uma espécie de hobby. Meu chefe foi fazer um curso de segurança e voltou cheio de marra. Então fiz um programinha básico, que simulava a tela de inicio, aquela onde a gente digitava nome e senha para começar a trabalhar. Na hora do almoço, fui no terminal dele e botei o programa para rodar.

O programa fazia o seguinte: capturava as informações e depois caía, abrindo a tela de início real. Ele nem desconfiou. No outro dia, de manhã cedo, eu já tinha alterado a senha do cara. Ele tentou entrar no sistema uma, duas, três vezes. Foi ficando nervoso. Eu sugeri: tenta a senha "babaca".

O chefe não gostou muito. Não sei por quê.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A Marta, o Zé e o PT

Não é que eu concorde com a Marta. Só em parte. E acho que ela faz parte do problema, mais que da solução. Só que apedrejamento é um pouco muito para mim.

Depois da Marta, veio o Zé. Baixou o sarrafo no governo da Dilma. A plateia aplaudiu de pé.

A Marta mexe com dois preconceitos diferentes. Um, generalizado, contra as mulheres - em especial as que não têm papas na língua, não sabem o seu lugar, não correspondem às expectativas falocratas. Outro, mais próprio da esquerda, contra quem nasceu, como se diz, "em berço de ouro". Não sei se isso já vem do tempo do Engels. É provável que sim.

Já o Zé... o Zé é objeto de um culto à personalidade que até agora não entendi muito bem. Atribuem ao Zé tudo de bom que ele não fez e esquecem todas as suas... digamos... trapalhadas. Respeito o cara. Ele tem história. Daqui a uns 50 anos talvez haja isenção para julgá-lo. Mas desde já é possível dizer que a sua trajetória política tem grandes acertos e erros igualmente portentosos.

Vendo de fora, parece claro que o PT está numa encruzilhada. Corre o risco de virar algo como a social-democracia europeia, cada vez mais irrelevante. Talvez ainda tenha algum fôlego para dar a virada, retomar o discurso e a prática de esquerda. Uma esquerda reformista, mas com alguma radicalidade.

Mas está difícil, não é não? Quem é que acredita numa recuperação do PT construído pelas bases, com debate interno permanente, desatrelado de governos, independente de mandatos... tudo isso sob a jovem liderança carismática e renovadora do Rui Falcão? Ele e seus pares.

Também não vai acontecer com o esperneio da Marta, nem com a clarividência do Zé. E não conte com o deus ex-machina barbudo. Esse está mais interessado em passar para a posteridade como um Getúlio sem suicídio.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Programa mínimo

Pelo meu perfil, você vê logo que eu não sou flor que se cheire. É muito "ex" para um sujeito só. Me desencontrei por aqui e por ali, sempre no campo da esquerda,. Hoje em dia as minhas convicções são muito poucas. Tento elencá-las.

Politica:
- Estado laico (não confunda com estado ateu, por favor).
- Democracia representativa, acrescida de mecanismos de democracia direta.
- Liberdade de expressão, limitada apenas pelos tipos clássicos de calúnia, injúria e difamação. Nenhuma forma de censura.
- Democratização dos meios de comunicação de massa.
- Acesso amplo aos mecanismos de comunicação horizontal, em rede.

Sociedade:
- Renda mínima.
- Saúde e educação públicas, universais e de qualidade.
- Políticas compensatórias para grupos historicamente desfavorecidos.
- Estado indutor do desenvolvimento regional sustentável.
- Função social da propriedade.

Economia:
- Crescimento sustentável.
- Sistema tributário progressivo, com ênfase nos impostos diretos.
- Taxação sobre as grandes fortunas.
- Imposto sobre herança que limite a acumulação de poder econômico.
- Controle público do sistema financeiro.

Programa mínimo é sempre resultado de compromisso. No caso, meu comigo mesmo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Sexta de poesia - Drummond

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.