"Era um velho que pescava sozinho num esquife na Corrente do Golfo..."

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Poema-comentário

Fim   (Mário de Sá-Carneiro)

Quando eu morrer batam em latas,
Rompam aos saltos e aos pinotes,
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas!

Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.

Novidade velha

Deus falou com a Marina. E foi rapidinho. Não esperou nem enterrarem o falecido. O emissário de deus foi o irmão do próprio. Esse não aguentou ficar calado nem 24 horas. E os próceres "socialistas"? Vai entre aspas por motivos óbvios. Largaram mais rápido que o Usain Bolt, na corrida para ser vice. Estão todos "à disposição do partido". Haja civismo.

O problema de falar com deus é que a gente pode ser enganado. Pode estar falando com o Outro. O Adversário. O Canhoto. Canhoto não, que é politicamente incorreto. Esse gosta de se passar pelo chefão. Seus conselhos são meio enviesados.

Teve gente que fez piadinha com a catástrofe. Tremendo mau gosto. Teve quem desejasse que o morto fosse o Aecinho, a Dilma. Horrível. Teve quem acusasse uns e outros. Péssimo. Mas nada foi pior do que ver os órfãos vestindo camisetas de campanha. Entre eles, um menino de 9 anos.

O Datafolha também foi apressado. Segundo o prestigioso instituto de pesquisas, a Marina empata com o Aecinho. Curioso é quem nem ele nem a Dilma perderam votos. A candidata evangélica pescou seus eleitores entre os indecisos e aqueles que iam votar nulo. São intenções de pouca consistência. Vêm no embalo da comoção.

Foi muita pressa para aproveitar a oportunidade. Só que eleição não é cem metros rasos. É maratona. Vem aí a propaganda na TV. Os debates. Os apoios. As traições. A candidatura pós-moderna exige uma releitura da campanha repaginada a nível de sustentabilidade. Em bom português: não segura a onda.

Vamos e venhamos. Ninguém confia na Marina. Falo daqueles que têm peso. Financiadores de campanha. Políticos que transferem votos. Ela tem um perfil por demais  milenarista. Os ruralistas que deram a maior força para o Eduardo, você acha que eles vêm com a seringueira? Fora o Banco Itaú... talvez... você acha que o capital financeiro vai largar o Aecinho?

Leio que a Marina é a novidade no jogo. Triste Brasil, ó quão dessemelhante. Até a novidade é velha e redundante.

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Sobre helicópteros e aeroportos

Vamos recapitular. Recapitular é preciso. É muita coisa.

1. O povo diz que o Aecinho é muito chegado a um brilho. Não sei se é. Não me interessa muito. Defendo a legalização de todas as drogas. Até do Aecinho.
2. Cai um helicóptero com meia tonelada de cocaína. O dono do helicóptero é muito chegado ao Aecinho.
3. Descobrem que o Aecinho fez um aeroporto na fazenda do tio-avô. Ah, mas ele desapropriou! Pode ser. Mas a chave da porteira continua com a família.
4. O aeroporto do Aecinho está na progressista cidade de Cláudio (MG), com cerca de 25 mil habitantes. A mais ou menos 50 quilômetros dessa metrópole fica Divinópolis, 226 mil habitantes, 01 aeroporto.
(Só para comparar: o bairro do Recreio dos Bandeirantes, no Rio, tem 80 mil habitantes e fica a mais de 40 quilômetros do Aeroporto do Galeão. O trajeto é dentro da cidade, portanto é mais demorado. Acho que o pessoal de lá devia exigir um aeroporto só para eles.)
5. A Agência Nacional de Aviação Civil - ANAC - não homologou o aeroporto do Aecinho. Eventuais pousos ou decolagens são irregulares. Ao que se saiba, só o Aecinho pousou/decolou por lá.
6. No final de 2013, a polícia federal tinha desbaratado um laboratório de refino de cocaína na empreendedora cidade de Cláudio (MG).
7. O filho do tio-avô (primo do Aecinho) está respondendo a processo criminal por associação ao tráfico de drogas.
8. Como eu disse, a chave da porteira da fazenda - e do aeroporto - continua na família. O tio-avô já está velhinho. O responsável pela chave, então, é o filho do tio-avô. Isso, o primo do Aecinho. Aquele que está respondendo a processo criminal, etc.
9. No último dia 11 pegou fogo num galpão da prefeitura da pujante cidade de Cláudio (MG). Parece que queimou um bocado de arquivo.

Quem sou eu para julgar meus semelhantes! Eu só queria saber o que a imprensa livre ia achar se esse rolo todo fosse com o Lula. Com o filho do Lula. Com o cachorro do cunhado do vizinho da nora do Lula.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

O que deus vai dizer para a Marina?

Como todo mundo sabe, a Marina Silva fala com deus frequentemente. Até aí, nada demais. Muita gente fala. O que diferencia a senadora é que deus responde. Só a  ela. E ao Suplicy. Mas com o Suplicy, pelo que ele conta, foi uma vez só. Com a Marina, não. É a toda hora. Ela vai pedir uma pizza e deus vai logo exigindo: a minha metade, eu quero de calabreza.

Os dois certamente estão batendo altos papos a essa hora. Ser ou não ser candidata a presidente? Um monólogo, quer dizer, um diálogo hamletiano.

O PSB não tem ninguém com tanto voto. Mas a seringueira não é do PSB. Ela é da Rede, um partido que não é partido, e tanto não é que nem conseguiu se inscrever na Justiça Eleitoral. Precisa de umas tantas assinaturas. Até o PROS conseguiu. O PTC. O PEN.  O PRTB. A Rede, não. Eles estavam ocupados rezando. Ou obrando. A fé sem obras é uma figueira estéril.

Se aceitar a candidatura, e ganhar, a Marina vai cometer o pecado de abortar seu bebê tão querido? Ou vai mandar o PSB para o quinto dos infernos?

A Rede está muito além dessa politiquinha rasteira do cotidiano, essa que decide se o Estado vai ajudar a maioria a melhorar de vida ou se vai melhorar ainda mais a vida de 1% dos cidadãos. Tenho amigos lá. Eles me garantem que é assim. Um papo qualquer coisa. Para lá de Marrakesh. Mas e se a Marina aceitar? Um ateu de má vontade pode até dizer que é oportunismo.

Para ser candidata e continuar tecendo a sua Rede, como se nada tivesse acontecido, só tem um jeito: perder a eleição. Não é tão difícil assim. Acho que é isso que deus vai dizer para ela, se é que ainda não disse. No pé do ouvido e com a mão sobre a boca, para ninguém fazer leitura labial.

Terceira Via

Quem inventou o termo foi o Tony Blair. Se não inventou, encarnou a ideia. O Reino Unido vinha de quase 20 anos de governos conservadores. Tinha sido pau puro nos trabalhadores, mas a classe média até que estava satisfeita. O ideário trabalhista - que já era um reformismo muito do sem vergonha - parecia "radical" para o pequeno burguês. Tony Blair propôs uma guinada na política. "Direita, volver" não parecia um bom slogan. "Terceira via" veio a calhar.

No poder, os trabalhistas "terceirizados" continuaram a fazer tudo que os conservadores já faziam, só que com bons modos. A Thatcher pelo menos tinha pose. O Tony, coitado, bajulava os Estados Unidos mais que o FHC. As privatizações seguiram de vento em popa. O desmonte do "welfare state". Era tempo do Consenso de Washington. A esquerda, diziam, estava ultrapasssada. O mundo todo se curvava ao capital financeirizado. Neoliberalismo na veia.

Ventos novos só sopraram no início do século XXI. Não nas Oropa. Na América Latina. Governos de esquerda mais ou menos moderada ganharam aqui, na Argentina, no Uruguai, na Venezuela, no Chile... Reformas mais ou menos cautelosas diminuíram a desigualdade. Apareciam os dissidentes do consenso.

A "terceira via", com esse nome ou não, teve sua chance também na França, na Espanha, na Itália, na Grécia. Veio a crise cíclica. O receituário foi o mesmo em todos esses países, com o resultado que sabemos. A crise se aprofundou e a Europa mergulhou no conservadorismo, com requintes de xenofobia e racismo. Os jovens saíram às ruas, mas a pauta era só negativa: "que se vayan todos" em várias línguas.

Gente, estamos em 2014. A China aponta como grande potência. A Rússia rosna para o Ocidente, do alto de seu arsenal. Os países emergentes juntam forças e lançam até um banco de desenvolvimento alternativo. O neoliberalismo criou focos de miséria nos países mais desenvolvidos do mundo.

E querem ressuscitar a tal "terceira via"? No mínimo, é muita falta de imaginação.

De volta - e (quase) monotemático

Ninguém sentiu falta, eu sei. Muito menos eu. Mas o blogzinho ficou quase um mês parado.

Volto agora, para comentar as eleições. O jogo está esquentando, começou a dar comichão.

Claro, sempre vai ter uma coisinha ou outra pessoal, ou um futebol desgarrado. Coerência monolítica nunca foi meu forte. Mas vou dar mais atenção às eleições que vêm aí.

Preciso dizer que vou votar no PT? Espero que não. Mas não vou tentar convencer ninguém aqui. No máximo, contribuir para o debate com alguns argumentos.

Dados comparativos sobre os governos do PT e do PSDB se encontram por aí, na rede. Compilar números não é o meu forte. Vou tentar ser mais qualitivo e - às vezes - analítico.

Daqui a pouco, vou dizer o que eu acho da tal "terceira via".

Abraços.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Dunga

Não tenho nada contra o Dunga. O mau humor dele não me incomoda. Ser campeão do mundo e xingar a taça é um pouco muito, admito. Foi o que ele fez. Basta ver o vídeo. A leitura labial é a maior moleza. Em 2002, o Cafu fez uma declaração de amor. Em 1994, o Dunga soltou uma enxurrada de palavrões. Deixa para lá. Era o alivio do estresse. O desabafo. Sei lá. Cada um comemora como pode.

Repito: não tenho nada contra o cara. Em 1990, a seleção era limitadíssima. Alguém teve uma ideia de jerico: ia ser sempre assim, não cabiam mais craques no futebol moderno; aquele timinho inaugurava um novo e radiante período no desporto: a "Era Dunga". Coitado. Não tinha nada a ver com o pato.

Quatro anos depois, o time era melhorzinho. Pelo menos tinha dois craques na frente: o Romário e o Bebeto. O Dunga estava lá, de volantão. E não é que ele se superou? Além de tomar a bola e escalavrar as canelas do adversário - suas especialidades -, ele fez belos lançamentos de 30, 40 metros. O Brasil foi campeão. Foi quando ele xingou a taça. Esquece, esquece.

É isso. o Dunga foi um jogador valente, dedicado, um tanto violento, eficaz na proteção da defesa. Nada demais. Também não é motivo de vergonha.

Meu problema com o Dunga é outro. Ele é... digamos... desprovido de um intelecto superior... não, não é bem isso... pouco prendado em matéria de inteligência... ah, vou deixar de melindres: ele é burro, mesmo.

Em 2006, criticando a posteriori a seleção, o luminar pontificou: "o time nunca poderia ganhar assim, jogando no 4-2-4". Meudeus! Onde é que ele viu 4-2-4? O time base contava com quatro zagueiros, um volante, três meias mais avançados e dois atacantes. O cara tinha anos de janela e me sai com essa!

Chamaram o moço para ser ténico, na preparação para 2010. Ele montou um timinho marromeno. Fechava lá atrás e saía no contra-ataque. Nas substituições, era somar 11. Tirava o 2, punha o 13; tirava o 5, punha o 16; tirava o 10, punha o 21. Cada um na sua casinha. Perto disso, o Felipão é um misto de Zé Mourinho com Rinus Michels, técnico da "laranja mecânica" em 1974.

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Família Bueno - Ana Lua, dois meses

Foi ontem. A gente combinou de comemorar cada mês até ela fazer um ano. Não. Não é bem assim. A gente não combinou nada. Ou foi uma combinação sem palavras. Por aí.

Comemoração bem simplezinha. Um bolo pequeno. Uns salgadinhos. Duas ou três amigas da mamãe. E o vovô, é claro.

Parece que ela não gostou muito da festa. Tinha tomado vacina. Que maldade.

Em dois meses, a Ana Lua virou duas Anas Luas. De três quilos para seis. É que ela é muito bem alimentada.

Mas não era tanto para falar da Ana, que às vezes eu chamo de Nhenhé por causa do chorinho. Era para falar da mãe dela. A Tereza.

A Tereza está aí, com seus 20 anos recém-feitos, mãezona do seu jeito meio estabanado, carregando a malinha dela para tudo quanto é lugar. Outro dia elas foram fazer compras na Rua da Alfândega. A mamãe chegou com as costas tortas de tanto carregar peso. Eu tinha dado um dinheirinho de presente de aniversário, ela comprou uma roupa para ela e outra para a filhota.

Enquanto eu escrevo isso aqui, saíram as duas. Foram na casa de uma amiga aqui perto. A mamãe vai arrumar os cabelos. Hoje à noite, ela vai sair. Arrumou uma amiga para ficar de babá. O leite da madrugada já está reservado. A Ana Lua não gosta muito de mamadeira, mas quando a fome aperta ela topa. Só precisa ser leite de verdade, vindo da fonte segura e conhecida, senão...

domingo, 13 de julho de 2014

Alemanha 1 x 0 Argentina

Primeiro tempo muito tático, com alguns momentos de pura e límpida chatice. O Sabella deu um nó no Löw. Armou o time fechado, só o Messi e o Higuain na frente, isso quando o Messi não voltava. Botou o Biglia fungando no cangote do Kroos. Quando tomava a bola, era correria em cima do Howedes, fraco lateral-esquerdo alemão.

O Löw começou com azar. Perdeu o Khedira no aquecimento. Entrou o Kramer. O Kramer deu um trombadaço de cabeça num argentino. Ainda ficou um pouco em campo, mas pensando que estava em Leverkusen. Saiu. O Löw aproveitou para mudar o time. Entrou o Schürlle, para abrir mais o ataque e dar um primeiro combate pela esquerda. O Özil foi jogar mais pelo meio.

A Alemanha tinha a posse de bola, mas a Argentina chegava com perigo. O Higuaín perdeu um gol feito, depois de ganhar um presente do Kroos. O Kroos estava visivelmente incomodado com o bafo do Biglia.

No intervalo, saiu o Lavezzi para a entrada do Agüero. A Argentina passou a jogar com três volantes, o Messi de enganche e dois no ataque. Não funcionou. Rapidinho a Alemanha encaixou a marcação. E os hermanos perderam o contra-ataque e um pouco da consistência defensiva. Sorte deles que os alemães não viravam a bola, quando toda a defesa estava de um lado só. Isso aconteceu várias vezes. E era muito chuveirinho. Se o primeiro tempo foi monótono, o segundo foi ruim mesmo. Lá pelos 30, os dois times já pareciam cansados. Ou segurando a onda, para a prorrogação - que veio, inevitavelmente.

Prorrogação é teste físico e mental. Foi a Alemanha que continuou procurando. Até mais do que no segundo tempo. O Schweinsteiger foi um símbolo - exausto, com cãibras, caçado em campo, mas de pé até o fim. A Copa das Copas não merecia terminar em zero a zero. Escapada do Schürle, belo gol do Götze. Símbolo, também - os dois nasceram depois da reunificação do país.

Futebol Borgeano

1

Em seu verde rincão, os jogadores
a bola vão movendo. O artilheiro,
marcado com rigor pelo zagueiro,
não consegue golear p'ras suas cores.
Dentro irradiam mágicos rigores:
volante homérico, leve e ligeiro
ponta, armador de passe prazenteiro,
o ubíquo meia e os alas agressores.
Quando esses jogadores tenham ido,
e já trinado o derradeiro apito,
do torcedor o fatigado grito
manterá viva a essência dessa guerra,
que é gentil mas envolve toda a Terra:
o futebol é espelho do infinito.

(parte 2 depois do jogo, se eu conseguir... hehe)

Autópsia 3 - hecatombe

Recapitulando: um time de entressafra foi treinado em clima de ôba-ôba, depois da vitória enganosa na Copa das Confederações. Mas nada apontava para a hecatombe.

Acho que começou na overdose emocional. Eu nunca tinha visto um técnico começar um torneio se declarando favorito, dizendo que tinha obrigação de ganhar. Haja pressão em cima dos meninos. Aí o jogo não encaixava, as vitórias (e os empates) vinham no sufoco... o grupo foi ficando mais nervoso que gato em dia de faxina.

O primeiro apagão não foi contra a Alemanha. Foi contra o Chile. O Hulk até vinha jogando bem, mas deu aquele passe desastroso, eles pegaram a bola no ataque, empataram. O Brasil, que dominava a partida, parou de jogar. Os chilenos não ganharam porque respeitaram demais a seleção. Tomaram conta do jogo, mas ficaram tocando bolas sem profundidade.

Veio o atropelamento do Neymar. Lamentável. Mas a Colômbia tinha perdido o Falcão Garcia antes mesmo da Copa. Teoricamente, uma perda maior. Não foi. Porque - além do James Rodrigues - a Colômbia tinha um time acertado. Nada demais. Pobre, mas limpinho.

Contra a Alemanha, eu cheguei a pensar que o Felipão ia escalar um terceiro volante, para jogar fechado, atrás daquela bola decisiva. Mas não. Botou o Bernard. Pobre menino.

Por mais que eu explique, não vou explicar nada. Foi um resultado anormal, construído em apenas seis minutos, um negócio mais anômalo ainda.

Ninguém já sabia.

Autópsia 2 - me engana, que eu gosto

Você quer que o Brasil seja campeão em 2018? Então torce para perder a Copa América. Se perder a Copa América, não joga a Copa das Confederações. Se não jogar a Copa das Confederações, não pode ganhar. Ganhar a Copa das Conferações é uma roubada. A seleção foi campeã em 2005, 2009 e 2013. Ficou todo mundo achando que estava tudo bem. Tremenda enganação.

No ano passado, a seleção venceu a Espanha na final. A Espanha! Supercampeã! O time invencível! Pois é. O time invencível já estava na descendente, rumo à completa vencibilidade.

De lá para cá, não mudamos nada. Jogadores melhoraram, jogadores pioraram. Teve boleiro que sumiu no banco de reservas do seu time. Mas o grupo foi basicamente o mesmo.

Foi pior na parte tática. A tática da Copa das Confederações podia ser chamada de "canta o hino e sai correndo". Pressão total nos primeiros quinze minutos, turbinados pelo doping patriótico. Deu certo, num torneiozinho sem expressão. Na hora do vamos ver, já estava todo mundo preparado.

E o que o Brasil sabia fazer, além de marcar forte no campo adversário? Dar chutão para a frente. Bater falta. Toque de bola? Nada. Jogadas ensaiadas? Nenhuma. Contra-ataque? Pouco. Jogadas pelas pontas? De que jeito, se os pontas embolavam no meio?

O time foi passando aos trancos e barrancos. Só enfrentou time fraco ou freguês de caderno. O Felipão fez mudanças pontuais. Tirou o Daniel Alves, que não estava bem. Mas como tirar o Fred, se o reserva era o Jô? Mudar para valer, alterando a forma de jogar, ele nem tentou. Talvez fosse tarde. Não tinha treinado opções antes.

Eu disse em outro post que esse grupo é de entressafra. Mas também não é nenhuma porcaria. Podia ocupar melhor o meio do campo. Podia experimentar jogar sem centro-avante típico. Podia por três zagueiros e soltar os laterais, como o Felipão fez muito bem em 2002. Podia aproveitar melhor o Oscar, que virou um tomador de bola, logo ele que era para dar classe do meio para a frente. Podia tentar tanta coisa... mas precisava treinar, experimentar em amistosos, ver se dava certo.

É fácil crucificar o Felipão. Ele é o maior responsável, mesmo. Mas todo mundo achou que dava pé. Que ia ser difícil. Que ia precisar de superação. Mas que dava.

Pois é. Não deu.

Antes do jogo - Argentina x Alemanha

O Rio amanheceu com um céu azulão, poucas nuvenzinhas, um dia ensolarado de inverno como só o Rio pode oferecer. A Copa das Copas merece.

É uma bela final. Podia ter sido a Holanda. Melhor com a Argentina. Um país de cada continente.

Antes da Copa, a gente dizia que o problema argentino era a defesa. O time não tem mesmo expoentes por ali. Mas o que faz uma boa tática e muito treinamento. O Alejandro Sabella desencavou o veterano Demichelis, que montou uma boa dupla com o Garay. Nenhum dos dois se destaca no cenário mundial. Mas estão funcionando. A Argentina só levou três gols até agora, todos na fase inicial.

O Mascherano surpreende. É o Dunga deles. O Dunga de 94, bem entendido: aquele volante seguro que de repente se mostra capaz de fazer lançamentos, de comandar a transição da defesa para o ataque. Ao lado dele, o Gago tem bom passe curto.

E o ataque, aí que inveja! Nem vou falar do Messi. Mas eles se deram ao luxo de não convocar o Tévez. Bem que ele podia ter se naturalizado brasileiro...

A Alemanha é mais time. A equipe vem sendo montada há uns oito anos. Tem o melhor goleiro da Copa, o Neuer. Uma defesa firme, onde o elo fraco é o lateral esquerdo,  o Howedes, que é um zagueiro improvisado. Um meio de campo que defende, ataca, toca, lança, se infiltra. Um ataque muito rápido. Ótimas opções no banco.

O time alemão joga bem compacto, com a defesa em linha, e às vezes abre espaço para lançamentos em profundidade. Por isso o Neuer sai muito do gol. Com a bola, eles não têm nada a ver com a tradicional escola germânica, baseada em força e velocidade. Tocam muito. É o time que mais troca passes nessa Copa.

Já falei, repito agora. Num campeonato de pontos corridos, a Alemanha ia ser campeã com umas duas rodadas de antecedência. Mas é mata-mata. Final. Tudo ou nada. Coração na boca. Hermanos ocupando a cidade. A Argentina pode se superar.

sábado, 12 de julho de 2014

Autópsia 1 - entressafra

A onda agora é ser catastrofista. Está tudo errado. Desde a estrutura federativa do esporte brasileiro até a cor do cabelo do Neymar. E buscar judas que se adequem à cerimônia de linchamento. O Felipão. O Fred. O Hulk. O Paulinho. O Daniel Alves. Um outro qualquer.

Não embarco nessa. Já vi coisa pior. Em 1966, o Brasil tinha dezenas de jogadores que podiam brilhar em qualquer seleção do mundo. A preparação foi tão horrorosa que o time caiu na fase de grupos. Em 1990, teve briga por dinheiro, por escalação, por ciúme da namorada, o diabo. O grupo só tinha baba. Passamos. Perdemos nas oitavas para uma Argentina que era só Maradona. E essa foi a Copa de mais baixo nível técnico da História. Em 2006, uma ótima geração jogou muito menos do que podia, porque a concentração era uma esbórnia. Em 2010, o ténico era o Dunga. Pelamordedeus. O Dunga.

O Felipão não é o gênio da raça, mas tinha feito um bom trabalho em 2002. Não era um time encantado, mas jogava bem e vencia. Mas tinha o Ronaldinho, o Ronaldo e o Rivaldo, entre outros.

O time deste ano era de entressafra. Não tínhamos grandes jogadores entre os 25 e os 29 anos (por aí), que costuma ser o auge. Só zagueiros. O Neymar era a maior estrela - 22. O Oscar era para ser o homem das assistências - 22. A grande esperança era o Bernard - 21. Isso sem falar no Lucas, que tem 22 e com justiça não foi convocado - vivia má fase, coisa normal em jogador jovem. E no Philippe Coutinho, também 22, que podia muito bem estar no grupo.

O centro-avante era o Fred - 31. Não tenho nada contra ele. Mas na última Copa ele não foi nem chamado. Os laterais também estavam todos na casa dos 30. Os outros, da geração teoricamente no auge, eram todos coadjuvantes nos seus times. Bons jogadores. Volantes de qualidade. Só isso. Também o Jô. O Hulk.

Você vai conferir, e vê que a última temporada da maioria não foi grande coisa. A do Paulinho, mal adaptado ao Spurs, foi péssima. O Luiz Gustavo saiu do Bayern para um time mediano, senão não jogava. O Julio Cesar só arrumou uma vaguinha no Canadá. O Bernard sumiu, depois que saiu do Atlético. O David Luiz vinha jogando de volante. O Fred não se destacou nem no campeonato estadual. Etc.

Podia mudar alguma coisa na convocação? Podia. Mas não muito. Time de entressafra.

Holanda 3 x 0 Brasil

Difícil falar desse jogo. Primeiro, pelas circunstâncias extra-campo. A Holanda não estava muito a fim. E o Brasil vinha de você-sabe-o-quê. Além do mais, time todo mexido. Se os titulares já não mostravam esse entrosamento todo... Depois, pela arbitragem. Foram dois erros capitais em quinze minutos. Que maré!...

Se os gringos já não queriam bola, imagina ganhando de dois. O Brasil tinha vontade. Mas era tudo no chutão ou na jogada individual. Os holandeses paravam nosso ataque fácil - ou na bola, ou na falta.

O time da camisa amarela... espera, deixa eu explicar. O João Saldanha chamava a seleção de "time da camisa amarela", sempre que estava irreconhecível, jogando pedrinha. Não pense que é coisa de hoje. A cartolagem sempre fez o possível para estragar nosso futebol.

Voltando. O time de camisa amarela não era um time. Era um bando.  Muita vontade. Pouca coisa mais.

E a Holanda ainda fez o terceiro no finzinho, só para ficar mais chato.

Antes do jogo - Brasil x Holanda

Não, o time do Brasil não é a pior porcaria do mundo. Se fosse, tinha saído na fase de grupos. A Espanha saiu. A Inglaterra. A Itália. O time do Irã, que é uma das piores porcarias do mundo.

Torcedores costumam ser ciclotímicos. Ou está tudo ótimo, ou está tudo péssimo. Estranho é quando os comentaristas também são.

O time da Holanda é melhor. Tecnicamente, tem um cara que está sobrando - o Robben. Ainda tem outros ótimos do meio para a frente. A defesa não é uma beleza, então o Van Gaal montou um esquema bem cauteloso, com três zagueiros e dois alas que defendem mais que atacam. Deu certo. É um time que leva poucos gols. Ou seja - é melhor em termos táticos, também.

O Brasil sofre das dores que conhecemos. Sem o Neymar, não há ninguém que desequilibre. Não tem toque de bola. Não dispõe de um reserva para o Fred, que está em péssima fase. Deixa o meio do campo às moscas. Essa última carência talvez melhore, parece que o Felipão vai escalar três volantes.

Tem a parte física e o estado anímico. Talvez decidam o jogo. A Holanda deve estar mais desgastada. Jogou na quarta, enfrentou uma prorrogação. E o que será pior? A desmotivação holandesa, onde até o treinador disse que o jogo não vale nada? Ou os nervos em frangalhos da nossa seleção?

Enfim... relaxe. É quase um amistoso. Pega uma cervejinha e vai curtir o jogo. O pior já passou. A não ser que... ih, espera, já volto, quase que eu esqueço do meu remédio!

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Soneto da Eliminação

De repente, do riso fez-se o pranto
Que derrota é derrota, mas nenhuma
Foi esse amargo chope sem espuma
E teve tantos gols, mas que espanto!

De repente uma calma de convento
Na torcida que ulula, grita, inflama
A dor do brasileiro barulhento
Foi silencioso e solitário drama

De repente, não mais que de repente
Foram quatro seguidos num rompante
Depois mais três e então era o bastante

Fez-se do jogo um sonho torturante
Fez-se do treinador um meliante
E fez-se vira-lata o que era gente!

Day after

Ontem, eu desliguei a televisão quando um entendido garantiu que já sabia. Era o mesmo cara que lá atrás tinha dito que o Brasil era "favoritaço". Isso na ESPN, que é a melhorzinha de todas.

Eu não estava nem triste. Estava chapado. Mais de meio século de futebol, nunca tinha visto. Fui dormir às 9 e meia da noite. Sono agitado. Eu sonhava que tinha sonhado que o Brasil perdia de 7 a 1.

Acordei agorinha. Moído.

Alguns amigos me pediram para explicar. É o que dá escrever sobre futebol. Alguém pode pensar que a gente é entendido. Eu não entendo nada. Ontem, em particular.

Deu apagão. Faltou o craque. A escalação foi errada. O Felipão escalou mal. O time não treinava. Está tudo errado no futebol brasileiro. As explicações vão do menor (os seis minutos com quatro gols) até o mais gigantesco (a estrutura federativa do esporte).

Prefiro o minúsculo. A teoria do apagão. Que pode ser explicado (olha eu tentando) pela enorme pressão em cima de um grupo inexperiente. Mas 7 a 1! Está acima da capacidade humana de explicar tudo. É derrota de proporções... deixa eu achar um adjetivo, que "históricas" é pouco. Babilônicas. Homéricas. Faraônicas. Hiperbólicas. Supercalifragilisespiralidôsicas.

terça-feira, 8 de julho de 2014

Alemanha 7 x 1 Brasil

Sem comentários.

Antes do jogo - Brasil x Alemanha

A Alemanha tem o melhor time dessa Copa. No mínimo, tem o melhor elenco. Se fosse um campeonato de pontos corridos, era favorita disparado. Mas é torneio curto, com mata-mata. E também não está "sobrando", como se diz.

O time alemão joga bem compactado. Às vezes, os dez ocupam só vinte metros do gramado. Não fica espaço entre zagueiros e volantes. Mas tem uma coisa. A defesa joga em linha. "Linha burra de quatro zagueiros", como dizia o João Saldanha. É burra porque, se você passa por um, passa por todos.

Com todo mundo pertinho, eles tocam a bola e evitam que o adversário faça o mesmo. Mas são vulneráveis no lançamento em profundidade, entre os zagueiros e a meta. É por isso que o Neuer sai à beça do gol, é quase um líbero.

Tudo indica que o Felipão vai botar o Willian no lugar do Neymar e pronto. Mas quem vai ficar no meio, mais perto do Fred, vai ser o Oscar. Pode ser uma solução. Pelo menos, é a que mexe menos no time. Ouço e leio alguns entendidos que querem trocar tudo. Cada um do seu jeito, é claro. As seleções deles poderiam ser ótimas. Só precisava ter treinado assim.

O Oscar deve jogar mais solto. Willian e Hulk voltam sempre. Dois dois, o que jogar pela direita vai ter uma avenida. É o elo fraco da corrente germânica. O outro vai ter que se preocupar com o Lahm, que talvez seja o melhor lateral do mundo.

Se prepare para uma partida em que a posse de bola é do adversário. David Luiz vai dar um monte daqueles chutões, que não são lançamentos de Didi, mas também não são jogadas de beque da roça. O Fred precisa aparecer, se movimentar mais. Ninguém quer que ele volte para buscar bola. Mas não pode ficar parado entre os beques, que são altos e têm categoria. Precisa se mexer, para facilitar o passe.

O Brasil pode ganhar. Mas vai ser no sofrimento. Quando é que não foi?

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Treinadores

O Van Gaal trocou o goleiro no finzinho do jogo contra Costa Rica, só para a disputa de pênaltis. E os entendidos já começaram a babar o cara. Ninguém se perguntou qual teria sido o peso de não usar todas as substuições possíveis na linha, numa partida de 120 minutos. Teve um entendidíssimo que garantiu que o técnico fora decisivo até nessa hora, que é a mais individual do futebol. Eu, que sou bobo, acreditava que decisivo tinha sido o Krul, que pegou duas bolas.

Diz que o gordo Feola, em 1958, tirava longos cochilos durante os jogos da seleção. Eu prefiro acreditar que ele fechava os olhos para visualizar soluções geniais que melhorassem o futebol do Nilton Santos, do Didi, do Garrincha, do Pelé, dessa turma meio mais ou menos.

Uma vez, o João Saldanha confessou que, quando treinava o Botafogo, ele fazia uma rodinha de dez para passar as instruções. O décimo-primeiro ficava de fora, brincando com a bola, que era o que ele gostava de fazer. Tratava-se de um tal de Mané.

O Garrincha, aliás, de bobo não tinha nada. Ficou famosa sua pergunta para o treinador, que explicava tintim por tintim como eles iam ganhar o jogo. Se não me engano, era contra a União Soviética. O "professor" dizia assim: "então o Didi pega a bola, lança para o Garrincha, que dribla o lateral e centra na cabeça do Vavá..." quando o craque das pernas tortas interrompeu, com ingenuidade fingida: "o senhor combinou com os russos?"

Os super-técnicos estão na moda. Eu sou da velha guarda. Acho que técnico é que nem árbitro: quanto menos aparece, melhor. Ou então é como o maestro da orquestra: o trabalho importante, mesmo, não é na hora do concerto - é nos ensaios. Outra comparação: assim como o goleiro, o treinador é mais importante quanto o time é ruim. Enfim, o técnico muito ajuda quando não atrapalha.

O goleiro titular da Holanda saiu literalmente chutando o balde. Depois se desculpou. É porque deu certo. Podia não ter dado. O Van Gaal ia ficar no Brasil mesmo, escondido da fúria da torcida holandesa. Talvez conseguisse emprego, treinando o XV de Piracicaba.

sábado, 5 de julho de 2014

Antes do jogo - Argentina x Bélgica

A Bélgica tem 30 mil quilômetros quadrados. É um pouquinho maior que Alagoas. Mas é dividida em dois pedaços que não se entendem, até porque têm línguas diferentes. Ao norte, na região de Flandres, a maioria fala holandês e alguns falam alemão. Francês é a língua da Valônia, que fica ao sul. É uma espécie de Suíça com briga na família. O caso é tão sério que o idioma oficial da Federação de Futebol é o inglês.

A Argentina a gente conhece. Não vou fazer piada, que já apanhei o suficiente. A Argentina é um país gigante, pelo menos quando joga bola. Mas me diga como é. Só ganhou duas Copas, uma a menos que o Pelé. Por isso mesmo, eles estão com ganas de empunhar o caneco aqui, em terras brasileiras. Os caras se acham. Não, eu não disse isso, desculpe.

A Bélgica tem um craque: o Hazard. Ele é valão, logo fala francês, logo o nome dele se diz "Azár" mesmo, oxítono, com "h" e "d" mudos. Mas os nossos locutores falam "Razár" ou "Rázar", até "Rázard", com "h" aspirado. Talvez para evitar o duplo sentido. Então não podia narrar jogo do Irã, que tem o Merdhad, nem do Japão, onde joga o Kagawa.

Me perco na prosódia. De volta. A Bélgica tem um craque, uns zagueirões fortes que batem bem, um motorzinho incasável no meio do campo - o Fellaini -, vários caras que correm muito e um centro-avante que está meio por baixo - o Lukaku. Cuidado na hora de falar o nome dele. Dizem que é a melhor geração do futebol belga, o que não chega a assustar ninguém. Mas o time é muito bem entrosado.

A Argentina tem um super-craque, desses que só aparecem de vinte em vinte anos. O Messi, claro. Também tem o Ángel de Maria, o Lavezzi, o Higuain, o Palacio... tudo atacante. O meio é esforçado e duro de encarar. A defesa não entusiasma. E o time ainda não "encaixou" tão bem quanto o belga. Mas tem uma coisa que valões e flamengos juntos jamais terão: camisa. E camisa ganha jogo, em Copa do Mundo.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Depois do jogo

Eu precisava sair de casa. Fui no boteco da esquina. Eles têm um chope bem tirado e uns tira-gostos legais.

De longe, achei que não ia dar. Era uma pequena multidão. Mas tinha mesa sobrando. A maioria em pé, para queimar a adrenalina.

Pedi um chope e dois pastéis, agradecendo a deus por não ser paulista. Fiquei ali, meio besta, vendo a TV sem som. Futebol na TV sem som é muito legal. Os comentaristas ficam calados.

Na partida contra o Chile, meu amigo Rui me convidou para ir na casa dele. Disse que ia. Não fui. Desculpa, Rui. Não deu. É que eu vejo a Copa aqui, neste apartamento, desde 1970. Depois do jogo contra o Uruguai, meu pai abriu uma garrafa de scotch para a garotada. Era o resgate do maracanazo, que ainda não se chamava assim.

Depois, sempre que pude. Morei um tempo em Brasília, e tal. Mas gostava de voltar aqui para assistir com o velho. Na Copa de 94, depois que o Baggio perdeu o pênalti, saí gritando pelo corredor e mordi a língua.

O velho não está mais aqui. O velho agora sou eu. Metade do segundo tempo foi com a netinha no colo.

Me perco na história. Bebi, comi, na hora de pagar a conta dei 20% para o garçom. Voltei para casa andando a uns dois palmos acima do chão.

Queria abraçar o meu pai.

Brasil 2 x 1 Colômbia

Nos primeiros cinco minutos, o Brasil já tinha tomado duas bolas no ataque.Numa dessas, teve escanteio, gol. Thiago Silva. Logo ele. Coisa de roteiro de Hollywood.

O jogo ficou do jeito que o Felipão gosta. Mas o time estava apressado. Errava muitos passes. Deu algumas chances de contra-ataque. Num deles eram quatro contra dois. O Thiago Silva cortou o cruzamento, com um tempo de bola incrível. Ele, de novo.

Primeiro tempo lá e cá. Corrido. Aberto. Um tanto faltoso. Quase sempre sem maldade. Apesar de não botar a bola no chão, o Brasil controlava o jogo.

Segundo tempo. A Colômbia voltou para sufocar. Normal. O Brasil até que se defendia bem. Mas entregava a bola para os caras o tempo todo. Nem com 2 x 0 o jogo ficou tranquilo. Com 2 x 1, então, foi uma odisseia.

Não que a Colômbia tivesse muitas chances. Mas faltava, no Brasil, o que a Alemanha teve de sobra: tranquilidade para tocar a bola e fazer o relógio andar. Os colombianos começaram a apelar. Futebol, que é bom, mostraram pouco. Faltas violentas. O Zuniga literalmente atropelou o Neymar, jamanta passando por cima de fusquinha.

Julio Cesar, muito bem. Maicon deu consistência ao lado direito, tanto na defesa quanto no ataque. Thiago Silva e David Luiz, dizer o quê? Não só defenderam muito, mas fizeram os gols. Aliás, que tirambaço do David! O Marcelo segurou bem o Quadrado e ainda apoiou. Os volantes foram bem. O Hulk, meio atrapalhado. O Oscar foi eficiente, mas ainda longe do que se espera dele. Não era o dia do Neymar. Ainda saiu machucado e preocupa. Fred saiu mais da área, ajudou à defesa, lutou muito.

Que venha a Alemanha!

Alemanha 1 x 0 França

Logo no início do primeiro tempo, deu para ver na tela da TV. A França tinha a bola, na defesa. No seu campo, da intermediária para a frente, eram seis alemães. Os outros quatro ficavam na linha do meio do campo.

A Alemanha começou assim. Na pressão. A França ficava atrás e tentava resolver na velocidade. Não conseguia. Depois do gol do Hummels, os gauleses adiantaram a marcação. Os chucrutes seguraram o facho, para ter fôlego até o fim. Começou a ola na arquibancada.

Segundo tempo. A França voltou para sufocar. Os alemães, a fim de passar o tempo. O jogo ficou travado. Sem muito brilho, fora uma ou outra jogada individual. Mata-mata não é hora de show.

Lá pelos 30, o técnico francês botou o Remy. Tudo ou nada. A Alemanha, só na defesa e no contra-ataque. O Müller perdeu um gol feito. 40 minutos. Saiu o Valbuena, entrou o Giroud. Desespero. O Giroud é o "brocador" do Arsenal.

Placar apertado. Claro que a França podia ter feito um golzinho e mudar a história da partida. Mas em nenhum momento deu pinta. Ao contrário. Fora aquele chute do Benzema no final, as melhores chances foram da Alemanha.

Teve entendido que disse que a França ficava melhor sem o Ribéry.  Piada. Craque sempre faz falta.

Acho que a Alemanha tem a melhor seleção dessa Copa. Não tem um boleiro-show, como o Messi ou o Neymar. Mas tem muitos jogadores excelentes. Sou mais o Neuer que o Ochoa e o Tim Howard juntos. Esses são muito bons debaixo das traves. O Neuer, além disso, sabe sair do gol - o fundamento mais difícil do goleiro. O Schweinsteiger talvez seja hoje o melhor meio campo do mundo. Tem o Lahm, o Müller, o Özil, o Kroos, o Götze... a lista é longa.  E o time já vem entrosado de fábrica - é muita gente do Bayern de Munique.