Blog Bueno

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Vida difícil

Simpatia

Amiga do Facebook publica:
  
Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que  você o conserte. Aprende que o tempo não é algo que possa voltar. Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, em vez de esperar que alguém lhe traga flores.
(William Shakespeare)
  
Fala sério! Uma rapidinha no Google e eu comento:
  
A gente lê e pensa logo: essa baboseira não pode ser Shakespeare. Aí vai pesquisar. De fato não é. O texto é da escritora Veronica A. Shoffstall:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Um_Dia_Voc%C3%AA_Aprende_que...
     
A amiga não se contém e responde:
  
PQ, vc ñ sonha um pouco , amigo Joel.
  
Quieto, Joel! Junto! Senta! Finge de morto! Nem uma letra a mais!
     

5 comentários:

GILMAR CARNEIRO disse...

Joel, você é um louco dos bons. Realmente é importante verificar as autorias. Tanto para valorizar os verdadeiros autores como para evitar injustiças. Também concordo que sonhar faz bem, ainda mais se incluir flores e amores.

Não mude! Você tem sido um bom professor...

Gisela disse...

A pior história de texto falsamente atribuído é do Verissimo. Ele conta: "Presque
A internet é uma maravilha, a internet é um horror. Não sei como a Humanidade pôde viver tanto tempo sem o e-mail e o Google, não sei o que será da nossa privacidade e da nossa sanidade quando só soubermos conviver nesse syberuniverso assustador. O mais admirável da internet é que tudo posto nos seus circuitos acaba tendo o mesmo valor, seja receita de bolo ou ensaio filosófico, já que o meio e o acesso ao meio são absolutamente iguais. O mais terrível é que tudo acaba tendo a mesma neutralidade moral, seja pregação inspiradora ou pregação racista — ou receita de bomba — já que a linguagem técnica é a mesma e a promiscuidade das mensagens é incontrolável. Não temos nem escolha entre o admirável e o terrível, pois acima de qualquer outra coisa a internet, hoje, é inevitável.

Uma das incomodações menores da internet, além das repetidas manifestações que recebo de uma inquietante preocupação, em algum lugar, com o tamanho do meu pênis, é o texto com autor falso, ou o falso texto de autor verdadeiro. Ainda não entendi o recato ou a estranha lógica de quem inventa um texto e põe na internet com o nome de outro, mas o fato é que os ares estão cheios de atribuições mentirosas ou duvidosas. Já li vários textos com assinaturas improváveis na internet, inclusive vários meus que nunca assinei, ou assinaria. Um, que circulou bastante, comparava duplas sertanejas com drogas e aconselhava o leitor a evitar qualquer cantor saído de Goiânia, o que me valeu muita correspondência indignada. Outro era sobre uma dor de barriga desastrosa, que muitos acharam nojento ou, pior, sensacional. O incômodo, além dos eventuais xingamentos, é só a obrigação de saber o que responder em casos como o da senhora que declarou que odiava tudo que eu escrevia até ler, na internet, um texto meu que adorara, e que, claro, não era meu. Agradeci, modestamente. Admiradora nova a gente não rejeita, mesmo quando não merece.

O texto que encantara a senhora se chamava “Quase” e é, mesmo, muito bom. Tenho sido elogiadíssimo pelo “Quase”. Pessoas me agradecem por ter escrito o “Quase”. Algumas dizem que o “Quase” mudou suas vidas. Uma turma de formandos me convidou para ser seu patrono e na última página do caro catálogo da formatura, como uma homenagem a mim, lá estava, inteiro, o “Quase”. Não tive coragem de desiludir a garotada. Na internet, tudo se torna verdade até prova em contrário e como na internet a prova em contrário é impossível, fazer o quê?

Eu gostaria de encontrar o verdadeiro autor do “Quase” para agradecer a glória emprestada e para lhe dar um recado. No Salão do Livro de Paris, na semana passada, ganhei da autora um volume de textos e versos brasileiros muito bem traduzidos para o francês, com uma surpresa: eu estava entre Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira e outros escolhidos, adivinha com que texto. Em francês ficou Presque. "

Gisela disse...

Em 31 de março ele publicou esse: Apareceu a autora do “Quase”, o texto que rola na internet atribuído a mim e que eu, relutantemente, tenho que repetir que não é meu. Ela se chama Sarah Westphal Batista da Silva, tem 21 anos, é de Florianópolis, escreveu o texto “inspirada por um menino que não me namorou, mas quase...”, mandou o texto por e-mail a várias amigas e dois anos depois teve a surpresa de vê-lo impresso com a minha assinatura. A Sarah está no quarto semestre de medicina mas sonha em largar a faculdade e começar a escrever. Olha aí, editores. Ela nem começou e já foi traduzida na França.

Joel Bueno disse...

"Quase" é muito bom? O Veríssimo é muito educado, mesmo...

Gisela disse...

É fraquinho mesmo. Mas ele é um gentleman....

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