Dori Caymmi - O Porto (Dori)
A pedidos.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Recordar é viver
Interdito
Foi no Itaú? Acho que foi no Itaú. Eu era diretor do Sindicato. Me ligaram do piquete. Tinha problema. Era num setor de informática, help-desk, um troço desses. Eu fui para lá.
Tinha polícia à beça, mas os home estavam na deles. Era um advogadozinho que tumultuava, brandindo uma cópia da sentença judicial e ameaçando: o oficial de justiça já ia chegar e ele ia dizer para a polícia bater em todo mundo.
Eu disse para ele que... bom... é... eu disse que limpava a bunda com o interdito dele. Que a gente não ia sair dali de jeito nenhum. Que tínhamos chamado os jornais, rádio, tevê, o escambau. Que se ele quisesse um banho de sangue, tudo bem. E que o primeiro a tomar uma porrada ia ser ele, o advogadozinho.
O moço se mandou. Vai ver, foi procurar o oficial de justiça e não achou. Deve estar procurando até hoje, porque lá na porta do banco não teve mais nada.
Não, eu não era tããão corajoso. E a tevê não dava a mínima para a nossa greve. Eu estava só blefando.
Foi no Itaú? Acho que foi no Itaú. Eu era diretor do Sindicato. Me ligaram do piquete. Tinha problema. Era num setor de informática, help-desk, um troço desses. Eu fui para lá.
Tinha polícia à beça, mas os home estavam na deles. Era um advogadozinho que tumultuava, brandindo uma cópia da sentença judicial e ameaçando: o oficial de justiça já ia chegar e ele ia dizer para a polícia bater em todo mundo.
Eu disse para ele que... bom... é... eu disse que limpava a bunda com o interdito dele. Que a gente não ia sair dali de jeito nenhum. Que tínhamos chamado os jornais, rádio, tevê, o escambau. Que se ele quisesse um banho de sangue, tudo bem. E que o primeiro a tomar uma porrada ia ser ele, o advogadozinho.
O moço se mandou. Vai ver, foi procurar o oficial de justiça e não achou. Deve estar procurando até hoje, porque lá na porta do banco não teve mais nada.
Não, eu não era tããão corajoso. E a tevê não dava a mínima para a nossa greve. Eu estava só blefando.
Mundo do trabalho
Interdito proibitório
O popular "interdito" é uma medida jurídica para garantir a posse de determinada propriedade. Serve para evitar ou encerrar uma invasão, por exemplo. Os causídicos de plantão, se quiserem, podem melhorar ou corrigir a minha explicação.
Em princípio, não foi feito para reprimir greve. A não ser que os manifestantes tomem medidas extremas. Uma vez, quando eu estava na área trabalhista do Banco do Brasil, cogitamos entrar com uma ação dessas quando os piqueteiros vestiram sacos de lixo untados de graxa e barraram a entrada no prédio da direção geral do banco. Não lembro se precisou. Acho que não.
Quem julga o interdito é a Justiça comum, que é ainda mais conservadora do que a Justiça do Trabalho. Talvez por isso, virou moda entre os bancos. Os juízes concedem rapidinho. Se algum grevista ficar a menos do que "x" metros da agência, o sindicato toma uma multa gigante e a polícia tem um motivo a mais para enfiar o cacete.
Pois bem. Nesta greve dos bancários, o BB ameaçou retirar direitos já conquistados, avisou que vai cortar o ponto e apelou direto para o interdito, no Brasil todo.
Não vai adiantar nada, como sempre. Os sindicatos se lixam para as multas. Vão recorrendo e não pagam nunca. E a polícia recebe uma gorjeta melhor dos bancos privados. Só serve para acirrar os ânimos e macular a imagem do banco - e do governo da Dilma.
O popular "interdito" é uma medida jurídica para garantir a posse de determinada propriedade. Serve para evitar ou encerrar uma invasão, por exemplo. Os causídicos de plantão, se quiserem, podem melhorar ou corrigir a minha explicação.
Em princípio, não foi feito para reprimir greve. A não ser que os manifestantes tomem medidas extremas. Uma vez, quando eu estava na área trabalhista do Banco do Brasil, cogitamos entrar com uma ação dessas quando os piqueteiros vestiram sacos de lixo untados de graxa e barraram a entrada no prédio da direção geral do banco. Não lembro se precisou. Acho que não.
Quem julga o interdito é a Justiça comum, que é ainda mais conservadora do que a Justiça do Trabalho. Talvez por isso, virou moda entre os bancos. Os juízes concedem rapidinho. Se algum grevista ficar a menos do que "x" metros da agência, o sindicato toma uma multa gigante e a polícia tem um motivo a mais para enfiar o cacete.
Pois bem. Nesta greve dos bancários, o BB ameaçou retirar direitos já conquistados, avisou que vai cortar o ponto e apelou direto para o interdito, no Brasil todo.
Não vai adiantar nada, como sempre. Os sindicatos se lixam para as multas. Vão recorrendo e não pagam nunca. E a polícia recebe uma gorjeta melhor dos bancos privados. Só serve para acirrar os ânimos e macular a imagem do banco - e do governo da Dilma.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Blog Bueno
A lesma lerda
O Lula ganhou mais um título de doutor honoris causa. Nossa imprensa livre não gostou e aproveitou para pagar um mico internacional.
O estuprador dirigente do PT de Minas ainda não foi expulso. O advogado pedófilo já tinha saído do PSTU.
O Kassab diz que vai apoiar a reeleição da Dilma. Isso se ela for ganhar, é claro.
Um comercial de lingerie é a grande polêmica da semana.
A Lucia Hippolito anda quietinha, quietinha.
Hoje não tem blog, não.
O Lula ganhou mais um título de doutor honoris causa. Nossa imprensa livre não gostou e aproveitou para pagar um mico internacional.
O estuprador dirigente do PT de Minas ainda não foi expulso. O advogado pedófilo já tinha saído do PSTU.
O Kassab diz que vai apoiar a reeleição da Dilma. Isso se ela for ganhar, é claro.
Um comercial de lingerie é a grande polêmica da semana.
A Lucia Hippolito anda quietinha, quietinha.
Hoje não tem blog, não.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
Caiu na rede
TV Educativa
Desenho do genial Santiago, feito em 1990, para um encontro de tevês educativas. Copicolei do Facebook do meu amigo Mariano.
Che barra a entrada de Hitler. Beethoven com fones de ouvido. Camões na iluminação. Shadespeare e Marx no roteiro. Carlitos entrevista Einstein. Da Vinci desenha a cena. Freud anota na prancheta. Hitchcock é o câmera-man. Ghandi com uma fita magnética. Picasso na mesa de edição.
Desenho do genial Santiago, feito em 1990, para um encontro de tevês educativas. Copicolei do Facebook do meu amigo Mariano.
Che barra a entrada de Hitler. Beethoven com fones de ouvido. Camões na iluminação. Shadespeare e Marx no roteiro. Carlitos entrevista Einstein. Da Vinci desenha a cena. Freud anota na prancheta. Hitchcock é o câmera-man. Ghandi com uma fita magnética. Picasso na mesa de edição.
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terça-feira, 27 de setembro de 2011
Ideologia
Ídolos
Adorei o cartaz. Mas fiquei encucado. É que eu não reconheci todos os meus ídolos.
Marx, Engels, Lenin, Trotsky e (sei não).
FHC, Gramsci, (quem é?), Chavez e Dilma.
Hitler, Ahmadinejad, Obama, Mao e Fidel.
Che, (não sei), Lula, Chico e Dawkins.
Quero adorá-los todos, sem exceção. Alguém pode me ajudar?
Adorei o cartaz. Mas fiquei encucado. É que eu não reconheci todos os meus ídolos.
Marx, Engels, Lenin, Trotsky e (sei não).
FHC, Gramsci, (quem é?), Chavez e Dilma.
Hitler, Ahmadinejad, Obama, Mao e Fidel.
Che, (não sei), Lula, Chico e Dawkins.
Quero adorá-los todos, sem exceção. Alguém pode me ajudar?
Mundo do trabalho
Bancários em greve
Assembleias em todo o país decretaram greve por tempo indeterminado, a partir de hoje. Muito justo. Os bancos só ofereceram 0,56% de aumento real e não querem nem saber das outras reivindicações - PLR mais bem distribuída, piso salarial melhorzinho, essas coisas.
Mas precisava ser agora, quando eu estou prestes a conseguir liberar uma raspinha do fundo do tacho do FGTS?
O atendimento da Caixa Econômica não é lá grande coisa. Para ver o saldo que eu tinha no Fundo foram, acredite, cinco dias úteis - em plena era da informação. Quando eu finalmente consegui entrar com todos os papéis, o cara que me atendeu teve que descer em outro andar para pegar um carimbo datador. Uma beleza.
Tudo demora, na CEF. Inclusive as greves. Os bancos param, digamos, por uma semana. Finalmente chegam a um acordo marromeno. Mas aí a CEF não quer pagar. A greve continua só na Caixa, naquele ritmo de professores de Minas Gerais. Estes já estão parados há exatos 111 dias.
Bom.. fazer o quê? Espero que dure menos... e todo apoio à valorosa categoria bancária!
Assembleias em todo o país decretaram greve por tempo indeterminado, a partir de hoje. Muito justo. Os bancos só ofereceram 0,56% de aumento real e não querem nem saber das outras reivindicações - PLR mais bem distribuída, piso salarial melhorzinho, essas coisas.
Mas precisava ser agora, quando eu estou prestes a conseguir liberar uma raspinha do fundo do tacho do FGTS?
O atendimento da Caixa Econômica não é lá grande coisa. Para ver o saldo que eu tinha no Fundo foram, acredite, cinco dias úteis - em plena era da informação. Quando eu finalmente consegui entrar com todos os papéis, o cara que me atendeu teve que descer em outro andar para pegar um carimbo datador. Uma beleza.
Tudo demora, na CEF. Inclusive as greves. Os bancos param, digamos, por uma semana. Finalmente chegam a um acordo marromeno. Mas aí a CEF não quer pagar. A greve continua só na Caixa, naquele ritmo de professores de Minas Gerais. Estes já estão parados há exatos 111 dias.
Bom.. fazer o quê? Espero que dure menos... e todo apoio à valorosa categoria bancária!
Blog policial
Comandante mandante
É como dizem: quando a polícia quer, acha. Primeiro caíram os bagrinhos e um deles abriu o bico. Quem mandou matar a juíza Patrícia Acioli, em agosto, foi o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, que na época era o comandante do batalhão da PM de São Gonçalo.
Ou, se você preferir a fórmula politicamente correta: o suposto mandante do suposto homicídio da suposta juíza foi o suposto comandante do batalhão. Ele estava supostamente envolvido nos supostos crimes que a juíza estava investigando.
Em um dos casos, a PM entrou no morro atirando a esmo, por vingança, porque não tinha recebido a mesada dos traficantes. Morreu um rapaz de 18 anos, que não tinha nada a ver com o pato.
É como dizem: quando a polícia quer, acha. Primeiro caíram os bagrinhos e um deles abriu o bico. Quem mandou matar a juíza Patrícia Acioli, em agosto, foi o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira, que na época era o comandante do batalhão da PM de São Gonçalo.
Ou, se você preferir a fórmula politicamente correta: o suposto mandante do suposto homicídio da suposta juíza foi o suposto comandante do batalhão. Ele estava supostamente envolvido nos supostos crimes que a juíza estava investigando.
Em um dos casos, a PM entrou no morro atirando a esmo, por vingança, porque não tinha recebido a mesada dos traficantes. Morreu um rapaz de 18 anos, que não tinha nada a ver com o pato.
Viver no Rio
Poluído
O relatório da Organização Mundial de Saúde sobre a poluição do ar nas principais cidades brasileiras causou certo frisson. O Rio de Janeiro foi campeão. A região metropolitana teve índices piores do que Sumpaulo, piores que Cubatão, uma calamidade.
Não me espantei. Quando eu era menino, costumava acampar em Piratininga, uma praia oceânica de Niterói. De lá a gente avista Copacabana. À tardinha, era uma névoa preta que até encobria os prédios da orla. Olha que isso faz tempo. De lá para cá, é claro, só piorou.
Os sumpaulistanos estão "tirando sarro", como se diz por lá. Mas a comparação da OMS não se sustenta. É que no Rio tem uma crença supersticiosa de que a poluição é baixa, afinal é uma cidade praiana e tal. Por isso há poucos equipamentos para medir a qualidade do ar - e esses equipamentos estão, naturalmente, nos pontos críticos.
Rivalidades regionais à parte, esse campeonato às avessas não tem nada a ver. É o sujo rindo do mal lavado. O que a OMS mostra, sem qualquer dúvida, é que o ar que a gente respira é muito, mas muito ruim.
Meu refinado mecanismo medidor de poluição - o nariz - indica que ar puro, apesar da poeirada da seca, só em Brasília.
O relatório da Organização Mundial de Saúde sobre a poluição do ar nas principais cidades brasileiras causou certo frisson. O Rio de Janeiro foi campeão. A região metropolitana teve índices piores do que Sumpaulo, piores que Cubatão, uma calamidade.
Não me espantei. Quando eu era menino, costumava acampar em Piratininga, uma praia oceânica de Niterói. De lá a gente avista Copacabana. À tardinha, era uma névoa preta que até encobria os prédios da orla. Olha que isso faz tempo. De lá para cá, é claro, só piorou.
Os sumpaulistanos estão "tirando sarro", como se diz por lá. Mas a comparação da OMS não se sustenta. É que no Rio tem uma crença supersticiosa de que a poluição é baixa, afinal é uma cidade praiana e tal. Por isso há poucos equipamentos para medir a qualidade do ar - e esses equipamentos estão, naturalmente, nos pontos críticos.
Rivalidades regionais à parte, esse campeonato às avessas não tem nada a ver. É o sujo rindo do mal lavado. O que a OMS mostra, sem qualquer dúvida, é que o ar que a gente respira é muito, mas muito ruim.
Meu refinado mecanismo medidor de poluição - o nariz - indica que ar puro, apesar da poeirada da seca, só em Brasília.
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
Caiu na rede
Involução
Já disse aqui que eu gosto do blog da Lola. Ela escreve bem, trata de temas que me interessam e o nível dos comentários costuma superar em muito a média da net.
Pois hoje ela se meteu a falar na Teoria da Evolução, por causa de umas entrevistas das misses norte-americanas. Acredite: as meninas, em sua maioria, são contra ensinar o evolucionismo nas escolas. As que se manifestaram a favor foi por tolerância para com tão exótica quanto improvável hipótese.
Até aí, tudo bem. Meu espanto foi quando eu li os comentários. Não todos, é claro. Mas tinha um verdadeiro festival de sandices. Alguns exemplos:
Também eu não acredito no evolucionismo Lola, por tudo que já estudei, são teorias muito falhas, mas Adão e Eva é mais difícil ainda.
Uma teoria não comprovada é apenas, e tão somente, uma suposição. Para mim a teoria de evolução, em vários aspectos, é tão fantasiosa como o é o criacionismo.
Em tese, nós seres humanos não deixamos de evoluir! Veja por exemplo os bebês que nascem agora, muitos já nascem com dentinhos, de olhos abertos..
Até que ponto evoluímos se mesmo com tudo que contruímos, continuamos criando cada vez mais coisas inúteis enquanto o que é realmente necessário fica de lado?
É claro que eu não resisti a demonstrar publicamente a minha própria estupidez:
Eu tenho uma teoria: o Universo começou exatamente há um segundo. Tudo foi criado por Deus já prontinho, inclusive o nosso suposto passado individual e os comentários que eu li neste blog. Melhor dizendo: a minha lembrança de ter lido esses comentários. Da mesma forma, os fósseis, as supernovas, as 11 dimensões do espaço-tempo segundo a Teoria das Cordas e a macarronada que me espera na mesa do almoço.
Corolário: melhor comprar uísque 8 anos do que 12 anos. Tem a mesma idade e é mais barato.
Já disse aqui que eu gosto do blog da Lola. Ela escreve bem, trata de temas que me interessam e o nível dos comentários costuma superar em muito a média da net.
Pois hoje ela se meteu a falar na Teoria da Evolução, por causa de umas entrevistas das misses norte-americanas. Acredite: as meninas, em sua maioria, são contra ensinar o evolucionismo nas escolas. As que se manifestaram a favor foi por tolerância para com tão exótica quanto improvável hipótese.
Até aí, tudo bem. Meu espanto foi quando eu li os comentários. Não todos, é claro. Mas tinha um verdadeiro festival de sandices. Alguns exemplos:
Também eu não acredito no evolucionismo Lola, por tudo que já estudei, são teorias muito falhas, mas Adão e Eva é mais difícil ainda.
Uma teoria não comprovada é apenas, e tão somente, uma suposição. Para mim a teoria de evolução, em vários aspectos, é tão fantasiosa como o é o criacionismo.
Em tese, nós seres humanos não deixamos de evoluir! Veja por exemplo os bebês que nascem agora, muitos já nascem com dentinhos, de olhos abertos..
Até que ponto evoluímos se mesmo com tudo que contruímos, continuamos criando cada vez mais coisas inúteis enquanto o que é realmente necessário fica de lado?
É claro que eu não resisti a demonstrar publicamente a minha própria estupidez:
Eu tenho uma teoria: o Universo começou exatamente há um segundo. Tudo foi criado por Deus já prontinho, inclusive o nosso suposto passado individual e os comentários que eu li neste blog. Melhor dizendo: a minha lembrança de ter lido esses comentários. Da mesma forma, os fósseis, as supernovas, as 11 dimensões do espaço-tempo segundo a Teoria das Cordas e a macarronada que me espera na mesa do almoço.
Corolário: melhor comprar uísque 8 anos do que 12 anos. Tem a mesma idade e é mais barato.
Futebol
Viva o Botafogo!
De coração aberto, quero dar sinceros parabéns aos amigos e amigas que sofrem pelo foguinho. O alvinegro está em festa. É o primeiro time, entre os 20 do Brasileirão, a alcançar seu objetivo estratégico no campeonato. Nem o Vasco alcançou tal façanha. E olha que o clube da terrinha está liderando e já tem vaga garantida na Libertadores. Mas o Botafogo superou a todos. Com o empate duramente conquistado ontem, garantiu o pontinho que faltava para comemorar.
Explico. Segundo os matemáticos de plantão, um time com 45 pontos não corre mais o risco de cair para a segunda divisão. Foi a marca alcançada ontem pelo clube do Manequinho. Como todo mundo sabe, objetivo de time pequeno, em qualquer competição, é não ser rebaixado. O Botafogo chegou lá. Agora, o que vier é lucro.
De novo: parabéns, botafoguenses! Sinceros parabéns!
De coração aberto, quero dar sinceros parabéns aos amigos e amigas que sofrem pelo foguinho. O alvinegro está em festa. É o primeiro time, entre os 20 do Brasileirão, a alcançar seu objetivo estratégico no campeonato. Nem o Vasco alcançou tal façanha. E olha que o clube da terrinha está liderando e já tem vaga garantida na Libertadores. Mas o Botafogo superou a todos. Com o empate duramente conquistado ontem, garantiu o pontinho que faltava para comemorar.
Explico. Segundo os matemáticos de plantão, um time com 45 pontos não corre mais o risco de cair para a segunda divisão. Foi a marca alcançada ontem pelo clube do Manequinho. Como todo mundo sabe, objetivo de time pequeno, em qualquer competição, é não ser rebaixado. O Botafogo chegou lá. Agora, o que vier é lucro.
De novo: parabéns, botafoguenses! Sinceros parabéns!
Viver no Rio
Pop in Rio
Recebi email de blogonauta amigo, pedindo para eu comentar a "área vip" do festival. Segundo ele, isso é uma coisa provinciana tipicamente brasileira.
Não sei, não. Na sociedade do espetáculo, a "celebridade" faz o papel que em outras épocas foi do herói. O que me espantou é que na tal área vip" cabem 4 mil pessoas. Existe mesmo tanta gente famosa?
É... deve ter sim. Só "ex-BBB" já devem ser quase 200. Soma aí jogadores de futebol de qualquer timinho, boazudas mais ou menos mercenárias, funkeiros cariocas, pagodeiros paulistas e duplas caipiras de origens diversas, atores começando na Globo, padres cantores... acho que 4 mil lugares é até pouco.
O que talvez seja uma exclusividade tupiniquim é tratar mal o público que paga. Ponto de ônibus a mais de um quilômetro, filas enormes, seguranças truculentos, todo um conjunto de serviços especialmente estruturado para dar o maior desconforto possível.
E a turba vai. Paga para ir. Paga caro. Então não precisa melhorar.
Recebi email de blogonauta amigo, pedindo para eu comentar a "área vip" do festival. Segundo ele, isso é uma coisa provinciana tipicamente brasileira.
Não sei, não. Na sociedade do espetáculo, a "celebridade" faz o papel que em outras épocas foi do herói. O que me espantou é que na tal área vip" cabem 4 mil pessoas. Existe mesmo tanta gente famosa?
É... deve ter sim. Só "ex-BBB" já devem ser quase 200. Soma aí jogadores de futebol de qualquer timinho, boazudas mais ou menos mercenárias, funkeiros cariocas, pagodeiros paulistas e duplas caipiras de origens diversas, atores começando na Globo, padres cantores... acho que 4 mil lugares é até pouco.
O que talvez seja uma exclusividade tupiniquim é tratar mal o público que paga. Ponto de ônibus a mais de um quilômetro, filas enormes, seguranças truculentos, todo um conjunto de serviços especialmente estruturado para dar o maior desconforto possível.
E a turba vai. Paga para ir. Paga caro. Então não precisa melhorar.
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
Música de hoje
MPB-4 - Amigo é pra essas Coisas (Blanc - Silva Jr.)
Amigos, amigas... bom fim-de-semana e até segunda-feira!
Amigos, amigas... bom fim-de-semana e até segunda-feira!
Blog Bueno é cultura
Intelectual orgânico
Se alguém se interessar, copicolei da Wikipedia:
Para Gramsci, cada grupo social fundamental, com papel decisivo na produção, engendra seus próprios intelectuais, ditos "orgânicos" a este mesmo grupo social. Assim, a classe burguesa, ao desenvolver-se no seio do antigo regime, traz consigo não apenas o capitalista, mas também uma série de figuras intelectuais mais ou menos distantes dele: o técnico da indústria, o administrador, o economista, o advogado, o organizador das mais distintas esferas do Estado. Tais intelectuais são os responsáveis pela nova forma do Estado e da sociedade, são os "funcionários da superestrutura", que terminam por moldar o mundo à imagem e semelhança da classe fundamental.
Analogamente, a classe operária - que, na visão de Gramsci, era a classe que então comandaria a mudança social - teria seus próprios intelectuais de novo tipo, que, no entanto, não é correto identificar aos intelectuais dos partidos de esquerda ou aos seus militantes. (...)
Na sociologia gramsciana, os intelectuais de tipo orgânico, ao se desenvolverem, deparam-se com os de tipo "tradicional", herdados de formações histórico-sociais anteriores: clérigos, filósofos, juristas, escritores e outros. Estes intelectuais tradicionais têm um forte sentimento de continuidade através do tempo e veem-se como independentes em relação às classes sociais em luta. (...)
Se alguém se interessar, copicolei da Wikipedia:
Para Gramsci, cada grupo social fundamental, com papel decisivo na produção, engendra seus próprios intelectuais, ditos "orgânicos" a este mesmo grupo social. Assim, a classe burguesa, ao desenvolver-se no seio do antigo regime, traz consigo não apenas o capitalista, mas também uma série de figuras intelectuais mais ou menos distantes dele: o técnico da indústria, o administrador, o economista, o advogado, o organizador das mais distintas esferas do Estado. Tais intelectuais são os responsáveis pela nova forma do Estado e da sociedade, são os "funcionários da superestrutura", que terminam por moldar o mundo à imagem e semelhança da classe fundamental.
Analogamente, a classe operária - que, na visão de Gramsci, era a classe que então comandaria a mudança social - teria seus próprios intelectuais de novo tipo, que, no entanto, não é correto identificar aos intelectuais dos partidos de esquerda ou aos seus militantes. (...)
Na sociologia gramsciana, os intelectuais de tipo orgânico, ao se desenvolverem, deparam-se com os de tipo "tradicional", herdados de formações histórico-sociais anteriores: clérigos, filósofos, juristas, escritores e outros. Estes intelectuais tradicionais têm um forte sentimento de continuidade através do tempo e veem-se como independentes em relação às classes sociais em luta. (...)
Reflexões irrelevantes
Pessoal e intransferível
Vez por outra rola uma polêmica aqui no blogzinho. Ou então eu me embrenho num debate noutro fórum qualquer. E aí acontece uma coisa estranha. As pessoas sempre se orgulham de ter a sua própria opinião, conquistada pelo esforço individual, pessoal e intransferível, ainda que possa ser confundida com as idéias de um grupo, de uma classe social, de um coletivo determinado pelo tempo e pelo espaço. Pode ser confundida, eu disse? Mas não confunda. Pior do que xingar a mãe é insinuar que o seu interlocutor não é tão independente quanto pensa.
Eu não. Eu não quero acertar sozinho. Prefiro errar acompanhado. A minha ideologia é coletiva, grupal, socialmente construída pela Multidão. De que adianta um pensamento que só você tem?
Não. Não é isso. Deixa eu tentar de novo.
Eu não. Individualista incorrigível, desconfio das iluminações que me acometem no chuveiro. Não sou nada modesto, mas acontece que eu sei disso. A gente sempre tende a viajar na maionese. O coletivo apara as arestas mentais de cada um.
Também não é isso. Mais uma tentativa.
Eu não. Sou incapaz de tamanha egotrip. Não há nada de novo sob o sol, meu chapa. Essa ideia maravilhosa que só você teve já foi pensada antes, ela possui uma História só dela, que não tem nada a ver contigo. A sua tão prezada independência é uma ilusão. Melhor escolher logo os seus pares, sejam eles os ideólogos do PT ou os editorialistas d'O Globo.
É quase isso, mas ainda não é bem o que eu queria dizer. Paciência. Vou tentar mais uma vezinha só.
Eu não. Eu sou apenas um intelectual orgânico do proletariado.
Pronto. É isso. Pode não ser grande coisa, mas é o que eu consegui ser na vida.
Vez por outra rola uma polêmica aqui no blogzinho. Ou então eu me embrenho num debate noutro fórum qualquer. E aí acontece uma coisa estranha. As pessoas sempre se orgulham de ter a sua própria opinião, conquistada pelo esforço individual, pessoal e intransferível, ainda que possa ser confundida com as idéias de um grupo, de uma classe social, de um coletivo determinado pelo tempo e pelo espaço. Pode ser confundida, eu disse? Mas não confunda. Pior do que xingar a mãe é insinuar que o seu interlocutor não é tão independente quanto pensa.
Eu não. Eu não quero acertar sozinho. Prefiro errar acompanhado. A minha ideologia é coletiva, grupal, socialmente construída pela Multidão. De que adianta um pensamento que só você tem?
Não. Não é isso. Deixa eu tentar de novo.
Eu não. Individualista incorrigível, desconfio das iluminações que me acometem no chuveiro. Não sou nada modesto, mas acontece que eu sei disso. A gente sempre tende a viajar na maionese. O coletivo apara as arestas mentais de cada um.
Também não é isso. Mais uma tentativa.
Eu não. Sou incapaz de tamanha egotrip. Não há nada de novo sob o sol, meu chapa. Essa ideia maravilhosa que só você teve já foi pensada antes, ela possui uma História só dela, que não tem nada a ver contigo. A sua tão prezada independência é uma ilusão. Melhor escolher logo os seus pares, sejam eles os ideólogos do PT ou os editorialistas d'O Globo.
É quase isso, mas ainda não é bem o que eu queria dizer. Paciência. Vou tentar mais uma vezinha só.
Eu não. Eu sou apenas um intelectual orgânico do proletariado.
Pronto. É isso. Pode não ser grande coisa, mas é o que eu consegui ser na vida.
Sexta de poesia
Manuel Bandeira
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
- Respire.
...............................................................................................................
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três . . . trinta e três . . . trinta e três . . .
- Respire.
...............................................................................................................
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Viver no Rio
Dia Mundial Sem Carro
É hoje. Os engarrafamentos continuam os mesmos. A prefeitura resolveu proibir o estacionamento no centro da cidade. Os flanelinhas estão fazendo a festa.
No ano passado, o prefeito foi trabalhar de bicicleta. Ele mora juntinho da Vista Chinesa e o seu gabinete fica em Botafogo. Para quem não mora no Rio: é só descida. Assim até eu. Queria ver é ele voltar para casa de bicicleta, subindo aquelas ladeiras todas depois de um dia de expediente puxado.
O metrô do Rio é uma lástima. A extensão é curta, vive cheio, mesmo fora dos horários de pico, demora um tempão entre um trem e o próximo, dá problema a toda hora. Os trens são ainda piores. Quase todo dia tem uma paralisação do serviço. Os ônibus estão entregues à máfia. Os trajetos não têm racionalidade, os carros são desconfortáveis, os motoristas parecem o Pateta dirigindo naquele famoso filminho da Disney. Praticamente inexiste um serviço executivo, que cobre mais caro e atenda com mais conforto, fundamental para reduzir o número de carros particulares nas ruas. Os táxis até que não são caros. Mas são em número excessivo. Se você coçar a cabeça junto do meio-fio, já param uns dois ou três. Demagogia boa e barata é distribuir autonomias. Além disso, a fiscalização é abaixo da crítica. Aí vicejam os táxis piratas, os taxímetros turbinados, as quadrilhas que dominam os melhores pontos.
Chega? Não chega, não. A cidade até que tem uma rede razoável de ciclovias, mas elas são destinadas ao lazer. O pacato cidadão que resolver ir para o trabalho de bicicleta vai arriscar a vida todos os dias. As estações do metrô não têm bicicletários. As vias expressas para ônibus são poucas e mal desenhadas. Os sinais de trânsito (faróis, caro paulistano) não têm sincronia. Os guardas de trânsito são mal preparados e com frequência só fazem mais confusão.
E o prefeito quer que eu deixe o carro na garagem. Como dizia o Ivan Lessa, nos bons tempos do Pasquim: vá se roçar nas ostras!
É hoje. Os engarrafamentos continuam os mesmos. A prefeitura resolveu proibir o estacionamento no centro da cidade. Os flanelinhas estão fazendo a festa.
No ano passado, o prefeito foi trabalhar de bicicleta. Ele mora juntinho da Vista Chinesa e o seu gabinete fica em Botafogo. Para quem não mora no Rio: é só descida. Assim até eu. Queria ver é ele voltar para casa de bicicleta, subindo aquelas ladeiras todas depois de um dia de expediente puxado.
O metrô do Rio é uma lástima. A extensão é curta, vive cheio, mesmo fora dos horários de pico, demora um tempão entre um trem e o próximo, dá problema a toda hora. Os trens são ainda piores. Quase todo dia tem uma paralisação do serviço. Os ônibus estão entregues à máfia. Os trajetos não têm racionalidade, os carros são desconfortáveis, os motoristas parecem o Pateta dirigindo naquele famoso filminho da Disney. Praticamente inexiste um serviço executivo, que cobre mais caro e atenda com mais conforto, fundamental para reduzir o número de carros particulares nas ruas. Os táxis até que não são caros. Mas são em número excessivo. Se você coçar a cabeça junto do meio-fio, já param uns dois ou três. Demagogia boa e barata é distribuir autonomias. Além disso, a fiscalização é abaixo da crítica. Aí vicejam os táxis piratas, os taxímetros turbinados, as quadrilhas que dominam os melhores pontos.
Chega? Não chega, não. A cidade até que tem uma rede razoável de ciclovias, mas elas são destinadas ao lazer. O pacato cidadão que resolver ir para o trabalho de bicicleta vai arriscar a vida todos os dias. As estações do metrô não têm bicicletários. As vias expressas para ônibus são poucas e mal desenhadas. Os sinais de trânsito (faróis, caro paulistano) não têm sincronia. Os guardas de trânsito são mal preparados e com frequência só fazem mais confusão.
E o prefeito quer que eu deixe o carro na garagem. Como dizia o Ivan Lessa, nos bons tempos do Pasquim: vá se roçar nas ostras!
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Caiu na rede
Marcha no Facebook
Um internauta bem intencionado reclamou:
O que aconteceu com os indignados? Porque a Marcha contra a corrupção não saiu do lugar? Você estava fazendo alguma coisa mais importante? Porque confirmou presença e não foi? Amanhã estarás por aqui a reclamar dos políticos?
LAMENTÁVEL!!!
Não me furtei a fazer um comentário, com toda a simpatia de que fui capaz:
Eu não fui, pelos motivos a seguir: 1. não sou milico, para participar de marcha; 2. não sou ingênuo, para entrar numa onda "contra a corrupção" patrocinada por grandes corruptos; 3. não sou massa de manobra, para desconhecer que o combate, na verdade, é contra o governo da Dilma; 4. não sou janista, para empunhar vassoura; 5. não sou reacionário, para abraçar esse udenismo fora de época; 6. não sendo nada disso, também não sou otário.
Um internauta bem intencionado reclamou:
O que aconteceu com os indignados? Porque a Marcha contra a corrupção não saiu do lugar? Você estava fazendo alguma coisa mais importante? Porque confirmou presença e não foi? Amanhã estarás por aqui a reclamar dos políticos?
LAMENTÁVEL!!!
Não me furtei a fazer um comentário, com toda a simpatia de que fui capaz:
Eu não fui, pelos motivos a seguir: 1. não sou milico, para participar de marcha; 2. não sou ingênuo, para entrar numa onda "contra a corrupção" patrocinada por grandes corruptos; 3. não sou massa de manobra, para desconhecer que o combate, na verdade, é contra o governo da Dilma; 4. não sou janista, para empunhar vassoura; 5. não sou reacionário, para abraçar esse udenismo fora de época; 6. não sendo nada disso, também não sou otário.
Imprensa livre
Prioridades
A presidenta Dilma fez o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU. A revista Newsweek achou relevante: deu matéria de capa.
As rádios CBN e Bandnews, não. Tinham outras prioridades.
Na CBN, a Lucia Hippolito fez questão de lembrar que a prerrogativa é de todo e qualquer presidente do Brasil, desde que a ONU é ONU. Depois passou a assuntos mais importantes: o trânsito na Barra durante o Rock em Rio, a anistia fiscal para os clubes esportivos de pequeno porte, o preço da gasolina em 2020 e os síndicos que recebem brindes das empresas de TV a cabo.
A Bandnews criticou a proibição do Twitter nas delegacias, especulou sobre as escalações do Flamengo e do Fluminense para os jogos de hoje, apoiou os protestos contra o fechamento dos cursos noturnos de uma escola em Niterói e lembrou que em 19 de outubro será comemorado o Dia do Policial Civil.
A presidenta Dilma fez o discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU. A revista Newsweek achou relevante: deu matéria de capa.
As rádios CBN e Bandnews, não. Tinham outras prioridades.
Na CBN, a Lucia Hippolito fez questão de lembrar que a prerrogativa é de todo e qualquer presidente do Brasil, desde que a ONU é ONU. Depois passou a assuntos mais importantes: o trânsito na Barra durante o Rock em Rio, a anistia fiscal para os clubes esportivos de pequeno porte, o preço da gasolina em 2020 e os síndicos que recebem brindes das empresas de TV a cabo.
A Bandnews criticou a proibição do Twitter nas delegacias, especulou sobre as escalações do Flamengo e do Fluminense para os jogos de hoje, apoiou os protestos contra o fechamento dos cursos noturnos de uma escola em Niterói e lembrou que em 19 de outubro será comemorado o Dia do Policial Civil.
Caiu na rede
Capas da Veja
O site CartaMaior se deu a trabalho de selecionar 123 capas da revista Esgoto, quer dizer, Veja, no período de 1993 a 2000. É uma aula de História e de jornalismo. Sem brincadeira. Às avessas, mas ainda assim uma aula.
Em compensação... se você levar na brincadeira... vai rir à beça.
O link está aqui.
O site CartaMaior se deu a trabalho de selecionar 123 capas da revista Esgoto, quer dizer, Veja, no período de 1993 a 2000. É uma aula de História e de jornalismo. Sem brincadeira. Às avessas, mas ainda assim uma aula.
Em compensação... se você levar na brincadeira... vai rir à beça.
O link está aqui.
Caiu na rede
Quino
Estava procurando imagens sobre corrupção, bati com essa historinha do genial desenhista argentino.
Estava procurando imagens sobre corrupção, bati com essa historinha do genial desenhista argentino.
Brasil
Ainda a corrupção
O tema causou polêmica aqui no blogzinho. Que bom. Blog sem polêmica fica insosso. Só vamos evitar que o debate democrático degenere em troca de sopapos...
Mas às vezes há falsas polêmicas. Aquelas em que um acusa o outro de dizer o que ele não disse. Sei que não sou imune a esse tipo de argumento falacioso. Faz parte. Às vezes, faz graça.
Quero lembrar aos amigos blogonautas que eu fui sindicalista, depois trabalhei na direção do BB e tinha contatos no governo. Conheço casos de corrupção de todas as cores e matizes. Geralmente não dá para provar, mas todo mundo sabe quem "mistura". E é o seguinte: nem todos são iguais. Tem muita gente honesta. O discurso que junta alhos com bugalhos só interessa aos corruptos.
Em uma vida quase toda dedicada à política, vi do pior e do melhor da fragílima espécie humana. Vi roubalheira, calúnia, oportunismo, mentira, traição. Mas também conheci as pessoas mais generosas, gente que desafiava meu ceticismo atávico.
A direita rouba mais. Sabe por quê? O Ulisses Guimarães dizia que o cara entra na política por um de dois motivos: ou para se dar bem, ou para mudar o mundo. E ele concluía: "ou seja, a política é a união do mau-caráter com o paranoico". Na esquerda tem mais paranoico. Por isso tem menos ladrão.
As campanhas contra a corrupção costumam ser hipócritas. Hoje mesmo o senador franciscano Pedro Simon estava deitando regras na CBN. Ora, o Simon ficou do lado da Yeda Crusius até o amargo fim. A Yeda foi abandonada até pelos amigos de infância, e o Simon ali, firme. A lama ultrapassou a cabeça... e o Simon respirando de canudinho. Mas na hora de falar do PT ele vira um jacobino.
Quero crer que o período mais corrupto da nossa História recente foi na ditadura militar. Mas a corrupção não aparecia, por motivos óbvios. A privataria do imperador Fernando II foi uma farra. Ideologia à parte, por favor. A compra de votos para a emenda da reeleição foi outra festa de arromba. Mas a imprensa livre não deu muita bola. O que eu estava dizendo? Que as campanhas contra a corrupção são hipócritas.
Ah, antes que eu esqueça: não sou mais filiado ao PT, não tenho procuração para defender o Hugo Chavez, não morro de amores pelo Zé Dirceu, combati as práticas do Delúbio ainda no tempo da CUT e acho o Palocci o fim.
O tema causou polêmica aqui no blogzinho. Que bom. Blog sem polêmica fica insosso. Só vamos evitar que o debate democrático degenere em troca de sopapos...
Mas às vezes há falsas polêmicas. Aquelas em que um acusa o outro de dizer o que ele não disse. Sei que não sou imune a esse tipo de argumento falacioso. Faz parte. Às vezes, faz graça.
Quero lembrar aos amigos blogonautas que eu fui sindicalista, depois trabalhei na direção do BB e tinha contatos no governo. Conheço casos de corrupção de todas as cores e matizes. Geralmente não dá para provar, mas todo mundo sabe quem "mistura". E é o seguinte: nem todos são iguais. Tem muita gente honesta. O discurso que junta alhos com bugalhos só interessa aos corruptos.
Em uma vida quase toda dedicada à política, vi do pior e do melhor da fragílima espécie humana. Vi roubalheira, calúnia, oportunismo, mentira, traição. Mas também conheci as pessoas mais generosas, gente que desafiava meu ceticismo atávico.
A direita rouba mais. Sabe por quê? O Ulisses Guimarães dizia que o cara entra na política por um de dois motivos: ou para se dar bem, ou para mudar o mundo. E ele concluía: "ou seja, a política é a união do mau-caráter com o paranoico". Na esquerda tem mais paranoico. Por isso tem menos ladrão.
As campanhas contra a corrupção costumam ser hipócritas. Hoje mesmo o senador franciscano Pedro Simon estava deitando regras na CBN. Ora, o Simon ficou do lado da Yeda Crusius até o amargo fim. A Yeda foi abandonada até pelos amigos de infância, e o Simon ali, firme. A lama ultrapassou a cabeça... e o Simon respirando de canudinho. Mas na hora de falar do PT ele vira um jacobino.
Quero crer que o período mais corrupto da nossa História recente foi na ditadura militar. Mas a corrupção não aparecia, por motivos óbvios. A privataria do imperador Fernando II foi uma farra. Ideologia à parte, por favor. A compra de votos para a emenda da reeleição foi outra festa de arromba. Mas a imprensa livre não deu muita bola. O que eu estava dizendo? Que as campanhas contra a corrupção são hipócritas.
Ah, antes que eu esqueça: não sou mais filiado ao PT, não tenho procuração para defender o Hugo Chavez, não morro de amores pelo Zé Dirceu, combati as práticas do Delúbio ainda no tempo da CUT e acho o Palocci o fim.
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Viver no Rio
Udenismo
Os jornais todos anunciaram. A CBN convocou durante toda a tarde. Mas não foi muita gente na Marcha com Deus pela Liberdade, quer dizer, no ato contra a corrupção. As vassouras, deus-me-livre, parecem coisa do Jânio. E como diria o grande reacionário Nelson Rodrigues: não tinha nenhum preto.
Os jornais todos anunciaram. A CBN convocou durante toda a tarde. Mas não foi muita gente na Marcha com Deus pela Liberdade, quer dizer, no ato contra a corrupção. As vassouras, deus-me-livre, parecem coisa do Jânio. E como diria o grande reacionário Nelson Rodrigues: não tinha nenhum preto.
Vida difícil
Pôquer
Eu estava ganhando uma graninha boa no pôquer online. Graninha de mentira, é claro, que eu não sou besta de jogar a dinheiro, ainda mais pela internet.
Aí eu fiz um flush. Apostei alto. O outro cara apostou tudo. Eu apostei tudo também. Era um jogo de Texas Hold'em. Ele tinha uma trinca de oito. Virou a quarta carta da mesa. Flush. Trinca de oito. Virou a última carta... o quarto oito, caramba!
Resolvi blogar um pouquinho.
Eu estava ganhando uma graninha boa no pôquer online. Graninha de mentira, é claro, que eu não sou besta de jogar a dinheiro, ainda mais pela internet.
Aí eu fiz um flush. Apostei alto. O outro cara apostou tudo. Eu apostei tudo também. Era um jogo de Texas Hold'em. Ele tinha uma trinca de oito. Virou a quarta carta da mesa. Flush. Trinca de oito. Virou a última carta... o quarto oito, caramba!
Resolvi blogar um pouquinho.
Imprensa livre
Patentes farmacêuticas
A Dilma falou em quebra de patentes de remédios, o Carlos Alberto Sardenberg ficou uma arara. Ele garante que isso é péssimo para o país. Vejamos seus argumentos:
- Se uma empresa farmacêutica pretendia fazer uma pesquisa aqui no país, agora não vai mais.
- Uma empresa que descubra um novo remédio não vai mais fabricá-lo no país.
- Desse jeito, vai acabar a pesquisa farmacológica em todo mundo. Aliás, já está acabando. Nos últimos anos, não surgiu nenhum remédio "bonzão".
- Daqui para frente, só vão pesquisar remédios para ricos - remédio para ruga ou para flacidez das nádegas. (juro, ele disse exatamente isso)
Não me faça rir, Sardenberg. Multinacional farmacêutica nenhuma faz pesquisa no Brasil. Depois, se ela se recusar a fazer o remédio aqui, a solução já está pronta - quebra a patente. Ao que eu saiba, a pesquisa anda a todo vapor e todo ano descobrem drogas novas - basta ler a página de ciência d'O Globo, que por sinal é muito ruim, para saber disso.
A indústria farmacêutica é uma das mais pestilentas do planeta. Não que seus executivos sejam piores que os outros. Mas é que, no caso, o negócio é a cura das pessoas. No modo de produção capitalista, tudo vira mercadoria - remédio é igualzinho a televisão de LCD ou bomba de fragmentação. Daí, toca a usar cobaias humanas na África. Toca a pesquisar só o que pode dar lucro. Toca a cobrar preços extorsivos para uma droga nova, aproveitando a patente, quer dizer, o monopólio.
Ninguém quebra patente para destruir a indústria ou a pesquisa. A quebra de patente é o último recurso, quando o preço abusivo está matando gente que podia ser salva. Ela é sempre precedida de negociação. Muitas vezes o fabricante cede. O preço fica razoável, remunerando o investimento em pesquisa e dando lucro. O resto é papo de lobista, ou de jornalista-lobista, lobista-jornalista, qualquer coisa assim.
A Dilma falou em quebra de patentes de remédios, o Carlos Alberto Sardenberg ficou uma arara. Ele garante que isso é péssimo para o país. Vejamos seus argumentos:
- Se uma empresa farmacêutica pretendia fazer uma pesquisa aqui no país, agora não vai mais.
- Uma empresa que descubra um novo remédio não vai mais fabricá-lo no país.
- Desse jeito, vai acabar a pesquisa farmacológica em todo mundo. Aliás, já está acabando. Nos últimos anos, não surgiu nenhum remédio "bonzão".
- Daqui para frente, só vão pesquisar remédios para ricos - remédio para ruga ou para flacidez das nádegas. (juro, ele disse exatamente isso)
Não me faça rir, Sardenberg. Multinacional farmacêutica nenhuma faz pesquisa no Brasil. Depois, se ela se recusar a fazer o remédio aqui, a solução já está pronta - quebra a patente. Ao que eu saiba, a pesquisa anda a todo vapor e todo ano descobrem drogas novas - basta ler a página de ciência d'O Globo, que por sinal é muito ruim, para saber disso.
A indústria farmacêutica é uma das mais pestilentas do planeta. Não que seus executivos sejam piores que os outros. Mas é que, no caso, o negócio é a cura das pessoas. No modo de produção capitalista, tudo vira mercadoria - remédio é igualzinho a televisão de LCD ou bomba de fragmentação. Daí, toca a usar cobaias humanas na África. Toca a pesquisar só o que pode dar lucro. Toca a cobrar preços extorsivos para uma droga nova, aproveitando a patente, quer dizer, o monopólio.
Ninguém quebra patente para destruir a indústria ou a pesquisa. A quebra de patente é o último recurso, quando o preço abusivo está matando gente que podia ser salva. Ela é sempre precedida de negociação. Muitas vezes o fabricante cede. O preço fica razoável, remunerando o investimento em pesquisa e dando lucro. O resto é papo de lobista, ou de jornalista-lobista, lobista-jornalista, qualquer coisa assim.
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Vida difícil
Kafka
Munido de um alvará de liberação de um saldo que tenho no FGTS, dirijo-me à Caixa Econômica. A Caixa exige que o alvará tenha firma reconhecida. Volto para casa.
Tento ligar para a Vara de Familia, para saber em que cartório reconhecer a firma. O telefone está errado. Consulto na internet. Ligo para o número certo. Dá-se o seguinte diálogo:
- Vara de Família.
- Quem está falando?
- Com quem deseja falar?
- Meu nome é Joel Bueno, eu queria uma informação...
- A gente não dá informação pelo telefone.
- Mas eu nem disse o que eu queria...
- Não adianta, o senhor vai ter que consultar a internet, a gente não dá informação.
- Mas eu só queria saber...
- O senhor tem que vir pessoalmente.
- Eu só...
- Não adianta.
- Mas a senhora nem me ouviu!...
- O senhor...
- Quer me ouvir, por favor??? Eu só quero saber o cartório onde a Dra. Fulana de Tal tem firma!
- Tal-e-tal Ofício de Notas.
- Muito obrigado.
Munido de um alvará de liberação de um saldo que tenho no FGTS, dirijo-me à Caixa Econômica. A Caixa exige que o alvará tenha firma reconhecida. Volto para casa.
Tento ligar para a Vara de Familia, para saber em que cartório reconhecer a firma. O telefone está errado. Consulto na internet. Ligo para o número certo. Dá-se o seguinte diálogo:
- Vara de Família.
- Quem está falando?
- Com quem deseja falar?
- Meu nome é Joel Bueno, eu queria uma informação...
- A gente não dá informação pelo telefone.
- Mas eu nem disse o que eu queria...
- Não adianta, o senhor vai ter que consultar a internet, a gente não dá informação.
- Mas eu só queria saber...
- O senhor tem que vir pessoalmente.
- Eu só...
- Não adianta.
- Mas a senhora nem me ouviu!...
- O senhor...
- Quer me ouvir, por favor??? Eu só quero saber o cartório onde a Dra. Fulana de Tal tem firma!
- Tal-e-tal Ofício de Notas.
- Muito obrigado.
Economia
Dólar
O dólar baixou. Segundo os entendidos, isso é o fim do mundo. Nossas empresas vão perder competitividade. Vai ter uma invasão de importados, acabando com as nossas reservas. A indústria nacional vai para a cucuia. O governo da Dilma vai cair.
Como é que é? O dólar não baixou? Ao contrário, subiu? Desculpa. Eu entendi errado. Vou começar de novo.
O dólar subiu. Segundo os entendidos, isso é o fim do mundo. A inflação vai disparar. Os mais pobres serão os mais prejudicados. Toda a política social dos últimos anos vai para o ralo. Vêm aí rebeliões e saques. O governo da Dilma vai cair.
O dólar baixou. Segundo os entendidos, isso é o fim do mundo. Nossas empresas vão perder competitividade. Vai ter uma invasão de importados, acabando com as nossas reservas. A indústria nacional vai para a cucuia. O governo da Dilma vai cair.
Como é que é? O dólar não baixou? Ao contrário, subiu? Desculpa. Eu entendi errado. Vou começar de novo.
O dólar subiu. Segundo os entendidos, isso é o fim do mundo. A inflação vai disparar. Os mais pobres serão os mais prejudicados. Toda a política social dos últimos anos vai para o ralo. Vêm aí rebeliões e saques. O governo da Dilma vai cair.
Brasil
Corrupção
Meu irmão fez um comentário aqui no blogzinho que me deu o que pensar. Basicamente, ele disse que a esquerda rouba tanto quanto a direita - talvez até mais, porque tem mais pressa. Essa é uma ideia bastante difundida hoje, ao menos na classe média. Mas será verdade?
O PT é o maior partido de esquerda do Brasil, certo? Hoje em dia, é mais uma centro-esquerda bem tímida, mas tudo bem. É também um dos maiores partidos do país, por qualquer medida que você use: número de filiados, de parlamentares, de prefeituras. Você vai ver, e é também o partido (entre os grandes) com o menor número de cassados por corrupção. O Pefelê ocupa a honrosa ponta da tabela. Depois, vêm o PMDB, o PSDB, o PP, o PTB, o PDT, o PR, o pequeno e impoluto PPS, só então chega o PT. A lista toda está aqui.
Lembra aí. Qual o grande escândalo de corrupção protagonizado pela esquerda, no poder federal há mais de oito anos? Tirando o mensalão, que não passava de um esquema mambembe de caixa 2, tem o quê? O Orlando Silva, do PCdoB, que comprou uma tapioca com cartão corporativo. A história obscura da consultoria do Palocci, que pode até ofender os mais jacobinos, mas não tinha ilegalidade. Ah, teve também a Erenice, que empregava os parentes todos até no governo do Arruda. O resto ficou por conta dos aliados, políticos tradicionalmente adesistas, nesse estranho presidencialismo de coalizão que vige no país.
Não acredite na minha memória. Tem uma lista na Wikipedia. Confere lá, se quiser.
Em outubro de 1917, quando os bolcheviques tomaram o poder, Lenin impôs restrições severas à filiação ao partido. O Partido Bolchevique era um partido de quadros, no jargão comunista. O PT é um partido de massas. É claro que inchou, quando ganhou a eleição para presidente. Mas ainda apresenta índices bem razoáveis de probidade administrativa.
O Brasil vem melhorando. Aos pouquinhos, bem aos pouquinhos. Mas está crescendo com distribuição de renda, um negócio que a gente desconhecia e que alguns economistas eminentes juravam ser impossível. A oposição conservadora ficou sem bandeiras. Daí, investe no denuncismo. A imprensa livre colabora com afinco.
A gente conhece esse filme. Ele é reprisado sempre que um governo popular ameaça reduzir um pouco os privilégios aviltantes que a chamada "elite" usufrui por aqui.
Meu irmão fez um comentário aqui no blogzinho que me deu o que pensar. Basicamente, ele disse que a esquerda rouba tanto quanto a direita - talvez até mais, porque tem mais pressa. Essa é uma ideia bastante difundida hoje, ao menos na classe média. Mas será verdade?
O PT é o maior partido de esquerda do Brasil, certo? Hoje em dia, é mais uma centro-esquerda bem tímida, mas tudo bem. É também um dos maiores partidos do país, por qualquer medida que você use: número de filiados, de parlamentares, de prefeituras. Você vai ver, e é também o partido (entre os grandes) com o menor número de cassados por corrupção. O Pefelê ocupa a honrosa ponta da tabela. Depois, vêm o PMDB, o PSDB, o PP, o PTB, o PDT, o PR, o pequeno e impoluto PPS, só então chega o PT. A lista toda está aqui.
Lembra aí. Qual o grande escândalo de corrupção protagonizado pela esquerda, no poder federal há mais de oito anos? Tirando o mensalão, que não passava de um esquema mambembe de caixa 2, tem o quê? O Orlando Silva, do PCdoB, que comprou uma tapioca com cartão corporativo. A história obscura da consultoria do Palocci, que pode até ofender os mais jacobinos, mas não tinha ilegalidade. Ah, teve também a Erenice, que empregava os parentes todos até no governo do Arruda. O resto ficou por conta dos aliados, políticos tradicionalmente adesistas, nesse estranho presidencialismo de coalizão que vige no país.
Não acredite na minha memória. Tem uma lista na Wikipedia. Confere lá, se quiser.
Em outubro de 1917, quando os bolcheviques tomaram o poder, Lenin impôs restrições severas à filiação ao partido. O Partido Bolchevique era um partido de quadros, no jargão comunista. O PT é um partido de massas. É claro que inchou, quando ganhou a eleição para presidente. Mas ainda apresenta índices bem razoáveis de probidade administrativa.
O Brasil vem melhorando. Aos pouquinhos, bem aos pouquinhos. Mas está crescendo com distribuição de renda, um negócio que a gente desconhecia e que alguns economistas eminentes juravam ser impossível. A oposição conservadora ficou sem bandeiras. Daí, investe no denuncismo. A imprensa livre colabora com afinco.
A gente conhece esse filme. Ele é reprisado sempre que um governo popular ameaça reduzir um pouco os privilégios aviltantes que a chamada "elite" usufrui por aqui.
Futebol
Uivo do lobo
Não existia Orkut. Twitter, então, nem pensar. Internet de banda larga era um sonho de consumo. Não havia tablet, nem Ipod, nem smartphone. A novidade era o Windows ME. O Playstation 2 era importado.
O presidente do Brasil era o FHC. O Barack Obama ainda não era nem senador. O Saddam Hussein mandava e desmandava no Iraque. O Fujimori era o bam-bam-bam no Peru. O dólar era moeda forte. A Grécia vivia um momento de bonança na economia.
A Cassia Eller fazia os seus shows e tomava as suas biritas. O Jorge Amado estava escrevendo seu último romance. O Chico Xavier recebia, e ainda não mandava mensagens do além.
As Torres Gêmeas estavam de pé.
Quer ouvir o uivo do lobo? Então pergunta:
- Vovó, a senhora se lembra da última vez que o Botafogo ganhou do Flamengo no Brasileirão?
- Uuuuuuuuuuuuhhhhh!.....
Não existia Orkut. Twitter, então, nem pensar. Internet de banda larga era um sonho de consumo. Não havia tablet, nem Ipod, nem smartphone. A novidade era o Windows ME. O Playstation 2 era importado.
O presidente do Brasil era o FHC. O Barack Obama ainda não era nem senador. O Saddam Hussein mandava e desmandava no Iraque. O Fujimori era o bam-bam-bam no Peru. O dólar era moeda forte. A Grécia vivia um momento de bonança na economia.
A Cassia Eller fazia os seus shows e tomava as suas biritas. O Jorge Amado estava escrevendo seu último romance. O Chico Xavier recebia, e ainda não mandava mensagens do além.
As Torres Gêmeas estavam de pé.
Quer ouvir o uivo do lobo? Então pergunta:
- Vovó, a senhora se lembra da última vez que o Botafogo ganhou do Flamengo no Brasileirão?
- Uuuuuuuuuuuuhhhhh!.....
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Viver no Rio
Novo Maracanã
Tem gente que é contra. O Juca Kfouri, por exemplo. Ele diz que tem saudade da velha arquibancada de cimento. Isso é porque faz anos que o Juca não vai num estádio. Ele escreve sobre futebol vendo na TV - quatro ou cinco partidas ao mesmo tempo, acredite.
Outro dia eu andei polemizando com um blogueiro que adorava a geral. Esqueci o nome da figura. Eu já fui a jogo na geral. Você ficava em pé, com os olhos marromeno na altura da canela dos jogadores. Visão excelente. Da arquibancada, choviam bagaços de laranja, copinhos de mate e sacos plásticos cheios de.... cheios de... cheios de mijo, mesmo. Uma beleza.
Tem até um sociólogo, de nome também já relegado ao olvido, que fez uma tese. Ele diz que a modernização dos estádios é parte de um processo de elitização capitalista neoliberal, tudo para coibir as torcidas organizadas, que seriam manifestação legítima da luta proletária.
Parafraseando o genial Joãosinho Trinta: quem gosta de ver jogo em pé e em arquibancada de cimento é intelectual; pobre gosta de conforto com lugar marcado.
Tem gente que é contra. O Juca Kfouri, por exemplo. Ele diz que tem saudade da velha arquibancada de cimento. Isso é porque faz anos que o Juca não vai num estádio. Ele escreve sobre futebol vendo na TV - quatro ou cinco partidas ao mesmo tempo, acredite.
Outro dia eu andei polemizando com um blogueiro que adorava a geral. Esqueci o nome da figura. Eu já fui a jogo na geral. Você ficava em pé, com os olhos marromeno na altura da canela dos jogadores. Visão excelente. Da arquibancada, choviam bagaços de laranja, copinhos de mate e sacos plásticos cheios de.... cheios de... cheios de mijo, mesmo. Uma beleza.
Tem até um sociólogo, de nome também já relegado ao olvido, que fez uma tese. Ele diz que a modernização dos estádios é parte de um processo de elitização capitalista neoliberal, tudo para coibir as torcidas organizadas, que seriam manifestação legítima da luta proletária.
Parafraseando o genial Joãosinho Trinta: quem gosta de ver jogo em pé e em arquibancada de cimento é intelectual; pobre gosta de conforto com lugar marcado.
Futebol
Flamengo x Botafogo
Vai ser no domingo, no estádio de atletismo da prefeitura. Ai, que saudade do Maraca!...
O Botafogo é freguês de caderno. Não vence o Flamengo há 11 anos. Quer dizer, um alvinegro adolescente nunca, nunca viu seu timinho ganhar do Mengão.
Mas a fase do Fla está braba.
Esta é a sua chance, sofredores do foguinho! É agora ou nunca!
Vai ser no domingo, no estádio de atletismo da prefeitura. Ai, que saudade do Maraca!...
O Botafogo é freguês de caderno. Não vence o Flamengo há 11 anos. Quer dizer, um alvinegro adolescente nunca, nunca viu seu timinho ganhar do Mengão.
Mas a fase do Fla está braba.
Esta é a sua chance, sofredores do foguinho! É agora ou nunca!
Caiu na rede
Ledo engano
Deu na BBC e aconteceu na cidade de Swansea, no País de Gales. Os baderneiros homofóbicos resolveram dar uma porrada nuns travestis. Se deram mal. Os travestis eram lutadores de vale-tudo, saindo de uma despedida de solteiro.
Foi legal. Eu queria ver algo assim na Av. Paulista....
Deu na BBC e aconteceu na cidade de Swansea, no País de Gales. Os baderneiros homofóbicos resolveram dar uma porrada nuns travestis. Se deram mal. Os travestis eram lutadores de vale-tudo, saindo de uma despedida de solteiro.
Foi legal. Eu queria ver algo assim na Av. Paulista....
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Caiu na rede
Minha dor não sai no jornal
O impressionante depoimento de um repórter fotográfico que foi sequestrado e torturado por milicianos do Rio, em 2008 - e que até hoje se esconde, com medo de represálias piores. Está na revista Piauí do mês passado, mas eu só li hoje. Achei que você também poderia se interessar. Você pode ler aqui.
O impressionante depoimento de um repórter fotográfico que foi sequestrado e torturado por milicianos do Rio, em 2008 - e que até hoje se esconde, com medo de represálias piores. Está na revista Piauí do mês passado, mas eu só li hoje. Achei que você também poderia se interessar. Você pode ler aqui.
Governo Dilma
Habemus ministro
Depois de muitas idas e vindas, o novo ministro do Turismo saiu ontem, já perto da meia-noite. É o deputado Gastão Vieira, do PMDB do Maranhão.
A dificuldade toda veio de uma exigência da Dilma: o novo ministro tinha que ter ficha limpa. Sabe-se que isso não é a coisa mais fácil de se achar dentro do partido-ônibus.
Até agora, a coisa mais grave que a imprensa livre achou sobre o Gastão é que ele não leva o seu partido muito a sério: numa entrevista à TV, ele disse que "no PMDB, todo mundo manda, ninguém obedece e cada um faz o que quer". Pelo menos, ele é um cara sincero.
Não conheço o novo ministro, mas li que ele é muito ligado à famiglia Sarney. Ficha limpa? Sei não...
Depois de muitas idas e vindas, o novo ministro do Turismo saiu ontem, já perto da meia-noite. É o deputado Gastão Vieira, do PMDB do Maranhão.
A dificuldade toda veio de uma exigência da Dilma: o novo ministro tinha que ter ficha limpa. Sabe-se que isso não é a coisa mais fácil de se achar dentro do partido-ônibus.
Até agora, a coisa mais grave que a imprensa livre achou sobre o Gastão é que ele não leva o seu partido muito a sério: numa entrevista à TV, ele disse que "no PMDB, todo mundo manda, ninguém obedece e cada um faz o que quer". Pelo menos, ele é um cara sincero.
Não conheço o novo ministro, mas li que ele é muito ligado à famiglia Sarney. Ficha limpa? Sei não...
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Brasil
Contra a corrupção na mídia
A socialite e seus amigos organizam as marchas contra a corrupção no governo da Dilma. Os blogueiros progressistas (sem aspas, que eu não quero arrumar confusão com os mais suscetíveis) convocam atos contra a corrupção na mídia.
Em Sumpaulo vai ser no sábado, no vão do Masp. Aqui no Rio o pessoal marcou para a Cinelândia, no fim da tarde de sexta.
Sei não. Acho que vai ter menos gente do que na passeata dos bacanas. Além do mais, isso parece briga de criança: você é feio! feio é você! bobo! bobalhão! corrupto! corrupto e meio! quem pisar no cuspe tá xingando a mãe do outro!
A socialite e seus amigos organizam as marchas contra a corrupção no governo da Dilma. Os blogueiros progressistas (sem aspas, que eu não quero arrumar confusão com os mais suscetíveis) convocam atos contra a corrupção na mídia.
Em Sumpaulo vai ser no sábado, no vão do Masp. Aqui no Rio o pessoal marcou para a Cinelândia, no fim da tarde de sexta.
Sei não. Acho que vai ter menos gente do que na passeata dos bacanas. Além do mais, isso parece briga de criança: você é feio! feio é você! bobo! bobalhão! corrupto! corrupto e meio! quem pisar no cuspe tá xingando a mãe do outro!
Governo Dilma
Menos um
A bola da vez é o ministro Pedro Novais, do Turismo. Ele vai dançar ainda hoje, por causa de umas malfeitorias de ópera bufa: botou a empregada doméstica na conta da Câmara dos Deputados, arranjou motorista oficial para a patroa, fez uma festinha num motel com dinheiro do contribuinte.
Que coisa...
Diz que o Michel Temer está costurando um nome para substituir o vovô festeiro. A vaga é do PMDB. Roga-se ao partido que indique alguém honesto. Na impossibilidade, ao menos um bandido de responsa.
A bola da vez é o ministro Pedro Novais, do Turismo. Ele vai dançar ainda hoje, por causa de umas malfeitorias de ópera bufa: botou a empregada doméstica na conta da Câmara dos Deputados, arranjou motorista oficial para a patroa, fez uma festinha num motel com dinheiro do contribuinte.
Que coisa...
Diz que o Michel Temer está costurando um nome para substituir o vovô festeiro. A vaga é do PMDB. Roga-se ao partido que indique alguém honesto. Na impossibilidade, ao menos um bandido de responsa.
Brasil
Mensalão
Não foi o ínclito Roberto Jefferson que cunhou o termo "mensalão"?
Pois agora a sua defesa no processo criminal diz que mensalão não houve. Para o doutor advogado, é uma acusação "meramente retórica" e "sem argumentos fáticos".
O que o nobre causídico pondera é nada mais, nada menos, do que o óbvio ululante. Mas a imprensa livre decidiu aderir com entusiasmo à moeda falsa do Jefferson. Já disse muitas vezes, agora repito. Os acusados, em sua maior parte, são deputados do PT. É ridículo imaginar que o partido ia subornar seus parlamentares para que eles votassem nas próprias propostas.
Foi um tremendo esquema de caixa 2. Já basta para condenar aqueles que comprovadamente estavam envolvidos. E pronto. Seria de bom-tom buscar a origem da grana, mas isso o Ministério Publico não fez. Talvez porque todos os indícios apontavam para ele, sempre ele, o ubíquo Daniel Dantas.
Não foi o ínclito Roberto Jefferson que cunhou o termo "mensalão"?
Pois agora a sua defesa no processo criminal diz que mensalão não houve. Para o doutor advogado, é uma acusação "meramente retórica" e "sem argumentos fáticos".
O que o nobre causídico pondera é nada mais, nada menos, do que o óbvio ululante. Mas a imprensa livre decidiu aderir com entusiasmo à moeda falsa do Jefferson. Já disse muitas vezes, agora repito. Os acusados, em sua maior parte, são deputados do PT. É ridículo imaginar que o partido ia subornar seus parlamentares para que eles votassem nas próprias propostas.
Foi um tremendo esquema de caixa 2. Já basta para condenar aqueles que comprovadamente estavam envolvidos. E pronto. Seria de bom-tom buscar a origem da grana, mas isso o Ministério Publico não fez. Talvez porque todos os indícios apontavam para ele, sempre ele, o ubíquo Daniel Dantas.
Imprensa livre
Liberdade de empresa
Deu no site Carta Maior. Marcelo Castillo, presidente do Colégio de Jornalistas do Chile, não está nada satisfeito com a imprensa do seu país.
Ele constata que "a indústria dos meios de comunicação tem uma presença avassaladora da centro-direita e da direita." E que o oligopólio manda e desmanda. Todos os jornais de circulação nacional pertencem a dois grupos de comunicação. O grupo Prisa detém 70% das concessões de rádio. Apenas três grupos empresariais controlam a televisão aberta. Segundo Castillo, o canal de TV melhorzinho é "a TVN, tv pública, que tem um pouco mais de independência, mas é encabeçada por pessoas de confiança do presidente Sebastián Piñera." Imagina então o resto.
Fiquei com pena dos chilenos. Ainda bem que a imprensa do Brasil não é assim...
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| Marcelo Castillo |
Ele constata que "a indústria dos meios de comunicação tem uma presença avassaladora da centro-direita e da direita." E que o oligopólio manda e desmanda. Todos os jornais de circulação nacional pertencem a dois grupos de comunicação. O grupo Prisa detém 70% das concessões de rádio. Apenas três grupos empresariais controlam a televisão aberta. Segundo Castillo, o canal de TV melhorzinho é "a TVN, tv pública, que tem um pouco mais de independência, mas é encabeçada por pessoas de confiança do presidente Sebastián Piñera." Imagina então o resto.
Fiquei com pena dos chilenos. Ainda bem que a imprensa do Brasil não é assim...
Brasil
Contra a corrupção
Segue a heroica luta da cidadania contra a corrupção. Uma beleza. Um renascimento. Um exemplo. Aqui no Rio, já tem nova manifestação - ou marcha, sei lá - marcada para o dia 20.
À frente dessa cruzada republicana está - entre outros menos votados - a empresária Cristine Maza, 50 aninhos, moradora de Santa Tereza, frequentadora da nossa melhor sociedade. Aproveitando seus 15 minutos de fama, ela tem exposto sem reservas o seu pensamento:
Sobre os "políticos": no evento, só daremos voz à sociedade. Não vamos abrir espaço para os políticos. Políticos e partidos políticos estão todos envolvidos com a corrupção.
Sobre CUT, UNE e outras organizações da sociedade civil: esssas entidades, na verdade, agora têm um partido. Elas não estão mais apartidárias. Todas têm ligações políticas. Se participarem das marchas, complica.
Sobre a política: detesto politica! Sei que no fim das contas, de uma certa forma estou fazendo politica, mas não me imagino no meio deles.
Análise política tão acurada, nem o Norberto Bobbio.
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| Foto de Antonio Cavalcanti |
À frente dessa cruzada republicana está - entre outros menos votados - a empresária Cristine Maza, 50 aninhos, moradora de Santa Tereza, frequentadora da nossa melhor sociedade. Aproveitando seus 15 minutos de fama, ela tem exposto sem reservas o seu pensamento:
Sobre os "políticos": no evento, só daremos voz à sociedade. Não vamos abrir espaço para os políticos. Políticos e partidos políticos estão todos envolvidos com a corrupção.
Sobre CUT, UNE e outras organizações da sociedade civil: esssas entidades, na verdade, agora têm um partido. Elas não estão mais apartidárias. Todas têm ligações políticas. Se participarem das marchas, complica.
Sobre a política: detesto politica! Sei que no fim das contas, de uma certa forma estou fazendo politica, mas não me imagino no meio deles.
Análise política tão acurada, nem o Norberto Bobbio.
Blog Bueno
Forfait
Ontem não deu para blogar. O dia todo correndo atrás de uns documentos para liberar o fundo do tacho do FGTS, que ficou lá na Caixa Econômica.
Sei: você não sentiu a menor falta. Mas me bateu uma dúvida, que aliás é recorrente: como é que faz, esse pessoal que trabalha???
Ontem não deu para blogar. O dia todo correndo atrás de uns documentos para liberar o fundo do tacho do FGTS, que ficou lá na Caixa Econômica.
Sei: você não sentiu a menor falta. Mas me bateu uma dúvida, que aliás é recorrente: como é que faz, esse pessoal que trabalha???
Imprensa livre
Comunique-se
Ontem foi a entrega do prêmio Comunique-se de Jornalismo e Comunicação Empresarial, que é uma espécie de Oscar da nossa gloriosa imprensa livre.
Quis conferir quem ganhou, foi a maior dificuldade. Cada veículo só fala nos seus próprios profissionais. Haja provincianismo. Fui salvo pelo Estadão, que botou a prata da casa na manchete, mas pelo menos fez uma matéria informativa, falando de todo mundo.
O destaque, para mim, ficou no jornalismo econômico. Ganharam o Carlos Alberto Sardenberg (midia impressa) e a Miriam Leitão (mídia eletrônica). Sei lá o que deu na cabeça dos seus coleguinhas, que fazem a escolha. Vai ver, resolveram premiar a capacidade dos dois, que deitam regra na boa num negócio que eles não entendem. O prêmio da maior ignorância. Convenhamos: não é para qualquer um.
Na categoria "múmia", o Cid Moreira foi homenageado post-mortem.
Ontem foi a entrega do prêmio Comunique-se de Jornalismo e Comunicação Empresarial, que é uma espécie de Oscar da nossa gloriosa imprensa livre.
Quis conferir quem ganhou, foi a maior dificuldade. Cada veículo só fala nos seus próprios profissionais. Haja provincianismo. Fui salvo pelo Estadão, que botou a prata da casa na manchete, mas pelo menos fez uma matéria informativa, falando de todo mundo.
O destaque, para mim, ficou no jornalismo econômico. Ganharam o Carlos Alberto Sardenberg (midia impressa) e a Miriam Leitão (mídia eletrônica). Sei lá o que deu na cabeça dos seus coleguinhas, que fazem a escolha. Vai ver, resolveram premiar a capacidade dos dois, que deitam regra na boa num negócio que eles não entendem. O prêmio da maior ignorância. Convenhamos: não é para qualquer um.
Na categoria "múmia", o Cid Moreira foi homenageado post-mortem.
segunda-feira, 12 de setembro de 2011
Aniversário
Mensagens
Obrigado, muito obrigado a todos os amigos, a todas as amigas que lembraram do velho recluso ontem - pessoalmente, em comentários aqui no blogzinho, por email, nas redes sociais, em qualquer parte da rede.
Obrigado, muito obrigado a todos os amigos, a todas as amigas que lembraram do velho recluso ontem - pessoalmente, em comentários aqui no blogzinho, por email, nas redes sociais, em qualquer parte da rede.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Efeméride
11 de setembro
No domingo se completam 10 anos do atentado ao Word Trade Center, 38 anos do golpe contra Allende e 56 anos deste vivente sobre a face da terra.
Eu jamais gostei dos meus aniversários. Antigamente eu nem ligava, em três ou quatro ocasiões simplesmente esqueci que naquela data eu contava mais um inverno. Depois dos 50 ficou um tanto pior. A contagem virou regressiva - a cada ano, mais perto da irmã do Sandman. Foi por isso que no ano passado dispensei as tradicionais manifestações dos amigos nessa infausta data. Não foi por pura e simples antipatia - ainda que eu reconheça que não sou o cara mais simpático do Universo.
Não adiantou, é claro. Portanto, eu me rendo. Aceito congratulações, parabéns, abraços efusivos, condolências e o que mais vier... e agradeço que ainda lembrem do velho recluso aqui.
Mas não me custa avisar: continuo preferindo garrafas do caminhante, delicadamente entregues na portaria do meu prédio.
No domingo se completam 10 anos do atentado ao Word Trade Center, 38 anos do golpe contra Allende e 56 anos deste vivente sobre a face da terra.
Eu jamais gostei dos meus aniversários. Antigamente eu nem ligava, em três ou quatro ocasiões simplesmente esqueci que naquela data eu contava mais um inverno. Depois dos 50 ficou um tanto pior. A contagem virou regressiva - a cada ano, mais perto da irmã do Sandman. Foi por isso que no ano passado dispensei as tradicionais manifestações dos amigos nessa infausta data. Não foi por pura e simples antipatia - ainda que eu reconheça que não sou o cara mais simpático do Universo.
Não adiantou, é claro. Portanto, eu me rendo. Aceito congratulações, parabéns, abraços efusivos, condolências e o que mais vier... e agradeço que ainda lembrem do velho recluso aqui.
Mas não me custa avisar: continuo preferindo garrafas do caminhante, delicadamente entregues na portaria do meu prédio.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
Viver no Rio
Pacificação
Costumo dizer que o governo do Sérgio Cabral não é lá essas coisas, mas tem uma boa política de segurança. Claro que não é isenta de contradições.
A polícia carioca é aquilo que a gente sabe. Não tem jeito, mesmo. Precisa fundar uma polícia nova. É o que o secretário José Beltrame está fazendo, nas comunidades pacificadas. As UPP são compostas por turmas novas, policiais recém-saídos da escola, com uma formação diferenciada e anda não contaminados pelos vícios que conhecemos.
Acontecem problemas pontuais. Outro dia, foram presos dois policiais de UPP. Eles levavam 15 mil reais, cuja origem não souberam explicar direito. Mas de um modo geral tem dado certo.
No Alemão é diferente. O Estado foi forçado a intervir antes do que estava planejado. Para isso, pediu auxílio do Exército. Quem patrulha a região são soldados. Gente que não está preparada para o papel de polícia. Casos de abuso de autoridade estão virando rotina. O Beltrame precisa abrir o olho.
Outra coisa é a reação do crime organizado. Tinha que acontecer, mais cedo ou mais tarde. Os traficantes não iam ficar assistindo, enquanto a polícia vai tomando os territórios um a um. Foi o que rolou nos últimos dias, também no Complexo do Alemão. Ali era a principal base do Comando Vermelho.
Finalmente, tem o que o meu filho Daniel chamou de "anomia" num comentário aqui no blog. Exemplo: o pessoal que apedrejou a cabine da UPP na Cidade de Deus. Por toda parte, os bailes funk têm criado problemas. Neguinho que botar o som nas alturas, até de madrugada, sem nenhum controle. Assim não pode. Não pode aqui em casa - se eu resolver dar um baile funk na sala, o síndico vai chamar a polícia. Por que vai ser diferente no morro do Turano, que fica aqui em frente?
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| Balas traçantes no Alemão - foto de Pablo Jacob |
A polícia carioca é aquilo que a gente sabe. Não tem jeito, mesmo. Precisa fundar uma polícia nova. É o que o secretário José Beltrame está fazendo, nas comunidades pacificadas. As UPP são compostas por turmas novas, policiais recém-saídos da escola, com uma formação diferenciada e anda não contaminados pelos vícios que conhecemos.
Acontecem problemas pontuais. Outro dia, foram presos dois policiais de UPP. Eles levavam 15 mil reais, cuja origem não souberam explicar direito. Mas de um modo geral tem dado certo.
No Alemão é diferente. O Estado foi forçado a intervir antes do que estava planejado. Para isso, pediu auxílio do Exército. Quem patrulha a região são soldados. Gente que não está preparada para o papel de polícia. Casos de abuso de autoridade estão virando rotina. O Beltrame precisa abrir o olho.
Outra coisa é a reação do crime organizado. Tinha que acontecer, mais cedo ou mais tarde. Os traficantes não iam ficar assistindo, enquanto a polícia vai tomando os territórios um a um. Foi o que rolou nos últimos dias, também no Complexo do Alemão. Ali era a principal base do Comando Vermelho.
Finalmente, tem o que o meu filho Daniel chamou de "anomia" num comentário aqui no blog. Exemplo: o pessoal que apedrejou a cabine da UPP na Cidade de Deus. Por toda parte, os bailes funk têm criado problemas. Neguinho que botar o som nas alturas, até de madrugada, sem nenhum controle. Assim não pode. Não pode aqui em casa - se eu resolver dar um baile funk na sala, o síndico vai chamar a polícia. Por que vai ser diferente no morro do Turano, que fica aqui em frente?
Viver no Rio
Enchendo Linguiça
É um boteco no Grajaú, na esquina de Engenheiro Richard com Barão de Bom Retiro. As mesas ficam na calçada, ao lado de um ponto de ônibus. Não chega a ser a maior tranquilidade do mundo.
Tem várias comidas e comidinhas, mas a especialidade é o joelho de porco à pururuca que se vê na foto. Ele é feito numa "televisão de cachorro", manja? Aquelas assadeiras elétricas com espetos e porta de vidro, onde em geral se fazem galetos.
O joelho de porco fica no ponto, com a pele crocante - colesterol solidificado, consuma com moderação. A carne solta dos ossos facinho e desmancha na boca.
Para acompanhar pedimos salada de batatas - sem graça - e chucrute - muito correto. O chope é bem tirado. O atendimento é amável. Parece que tem uma filial em Brasília, mas não sei se é a mesma coisa.
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| Foto da Eliete |
Tem várias comidas e comidinhas, mas a especialidade é o joelho de porco à pururuca que se vê na foto. Ele é feito numa "televisão de cachorro", manja? Aquelas assadeiras elétricas com espetos e porta de vidro, onde em geral se fazem galetos.
O joelho de porco fica no ponto, com a pele crocante - colesterol solidificado, consuma com moderação. A carne solta dos ossos facinho e desmancha na boca.
Para acompanhar pedimos salada de batatas - sem graça - e chucrute - muito correto. O chope é bem tirado. O atendimento é amável. Parece que tem uma filial em Brasília, mas não sei se é a mesma coisa.
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
Música de hoje
Elis Regina - Carinhoso (Pixinguinha - Braguinha)
Eu dá disse isso aqui. Para mim, "Carinhoso" devia ser o hino nacional. A melodia é linda, todo mundo sabe cantar, a letra é fácil de entender, não fala em morte e não tem patriotada.
Eu dá disse isso aqui. Para mim, "Carinhoso" devia ser o hino nacional. A melodia é linda, todo mundo sabe cantar, a letra é fácil de entender, não fala em morte e não tem patriotada.
Brasil
Marchas
Diz que a Esplanada dos Ministério está cheia de gente de preto, na marcha contra a corrupção. Pode ser. A classe média não tem muitas opções de lazer em Brasília e feriado na quarta-feira é ruim de enforcar.
Se eu ainda morasse na capital, se eu ainda participasse de marchas, se eu tivesse disposição de ir até a Ceilândia, eu iria na Marcha dos Excluídos. É mais tradicional e - quero crer - mais significativa. Minha amiga, a deputada petista Erika Kokai, disse no Twitter que vai nas duas. O que não falta na Erika são boas intenções e fôlego. Mas eu temo que ela esteja desperdiçando metade do seu dia.
Marcha contra a corrupção é que nem marcha contra a violência, que foi moda um tempo aqui no Rio. Alguém é a favor da violência? Nesse espírito, podia ter marcha contra o câncer, contra os raios ultra-violeta, contra a maldade humana. Causas genéricas, que não incomodam ninguém e não mudam absolutamente porcaria nenhuma.
Outra coisa é, por exemplo, marcha contra a violência policial. Aí tem um alvo específico e um objetivo claro - pressionar o governo para reprimir os matadores fardados. Ou marcha a favor das pesquisas com células-tronco, que o conservadorismo religioso tenta proibir e que podem ajudar na cura do câncer.
É isso. Marcha só tem sentido se incomodar alguém. E esse "alguém" tem que ser poderoso.
Outro exemplo: marcha contra a corrupção no governo da Dilma.
Ah, é marcha contra o governo da Dilma? Aí mesmo é que eu não vou.
Diz que a Esplanada dos Ministério está cheia de gente de preto, na marcha contra a corrupção. Pode ser. A classe média não tem muitas opções de lazer em Brasília e feriado na quarta-feira é ruim de enforcar.
Se eu ainda morasse na capital, se eu ainda participasse de marchas, se eu tivesse disposição de ir até a Ceilândia, eu iria na Marcha dos Excluídos. É mais tradicional e - quero crer - mais significativa. Minha amiga, a deputada petista Erika Kokai, disse no Twitter que vai nas duas. O que não falta na Erika são boas intenções e fôlego. Mas eu temo que ela esteja desperdiçando metade do seu dia.
Marcha contra a corrupção é que nem marcha contra a violência, que foi moda um tempo aqui no Rio. Alguém é a favor da violência? Nesse espírito, podia ter marcha contra o câncer, contra os raios ultra-violeta, contra a maldade humana. Causas genéricas, que não incomodam ninguém e não mudam absolutamente porcaria nenhuma.
Outra coisa é, por exemplo, marcha contra a violência policial. Aí tem um alvo específico e um objetivo claro - pressionar o governo para reprimir os matadores fardados. Ou marcha a favor das pesquisas com células-tronco, que o conservadorismo religioso tenta proibir e que podem ajudar na cura do câncer.
É isso. Marcha só tem sentido se incomodar alguém. E esse "alguém" tem que ser poderoso.
Outro exemplo: marcha contra a corrupção no governo da Dilma.
Ah, é marcha contra o governo da Dilma? Aí mesmo é que eu não vou.
Imprensa livre
A queda dos juros, de novo
Não gosto da sigla PIG - Partido da Imprensa Golpista, que agrada tanto aos blogueiros progressistas. Prefiro a ironia ao vitupério. Chamo os nossos não mui variegados orgãos de comunicação de "imprensa livre". Mas também tem um outro motivo. De vez em quanto aparece coisa interessante na grande imprensa. O censor interno cochila, sei lá. Ou é a exceção que legitima a regra de uma imprensa conservadora, antipopular e pouco veraz.
O nariz-de-cera do primeiro parágrafo é para recomendar um artigo do Paulo Moreira Leite, na revista Época, de propriedade da famiglia Marinho. Ele analisa o recente corte na taxa de juros de forma serena, mas não sem antes dar um passa-fora-moleque nos adoradores do deus mercado.
Vale a pena ler. Está aqui
.
Não gosto da sigla PIG - Partido da Imprensa Golpista, que agrada tanto aos blogueiros progressistas. Prefiro a ironia ao vitupério. Chamo os nossos não mui variegados orgãos de comunicação de "imprensa livre". Mas também tem um outro motivo. De vez em quanto aparece coisa interessante na grande imprensa. O censor interno cochila, sei lá. Ou é a exceção que legitima a regra de uma imprensa conservadora, antipopular e pouco veraz.
O nariz-de-cera do primeiro parágrafo é para recomendar um artigo do Paulo Moreira Leite, na revista Época, de propriedade da famiglia Marinho. Ele analisa o recente corte na taxa de juros de forma serena, mas não sem antes dar um passa-fora-moleque nos adoradores do deus mercado.
Vale a pena ler. Está aqui
.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Blog Bueno
O PT, a censura, a imprensa livre e este blog irrelevante
Me estendi demais. Desculpa. Não era a minha intenção. Comecei brincando com a Lucia Hippolito, que me diverte muito e não me deixa sem assunto. Mas fui olhar, não era só a Lucia: a imprensa livre toda está "por aqui" com a audácia da gentalha petista.
O 4º Congresso tratou da economia, da redução da pobreza, dos direitos das minorias, da reforma agrária, da reforma politica, de tudo quanto é tema de interesse do país - e até de algumas bobagens desimportantes. Mas a imprensa livre só quis saber da "censura". Haja saco.
Eu queria ter tempo e paciência para analisar a Resolução Política como um todo. Eu queria fazer blague com a claque berrando "Dirceu-guerreiro-do-povo-brasileiro". Eu queria comentar uma decisão que restringe a reeleição sucessiva para mandatos parlamentares - alguém acredita que os caciques do partido vão deixar que isso aconteça?
Eu queria criticar o PT. O partido vem merecendo muita crítica. Mas quando a gente lê os nossos melhores órgãos de comunicação... aí só dá vontade de botar a estrelinha vermelha no peito.
A imprensa livre não critica os defeitos do PT. Ela demoniza as qualidades.
Me estendi demais. Desculpa. Não era a minha intenção. Comecei brincando com a Lucia Hippolito, que me diverte muito e não me deixa sem assunto. Mas fui olhar, não era só a Lucia: a imprensa livre toda está "por aqui" com a audácia da gentalha petista.
O 4º Congresso tratou da economia, da redução da pobreza, dos direitos das minorias, da reforma agrária, da reforma politica, de tudo quanto é tema de interesse do país - e até de algumas bobagens desimportantes. Mas a imprensa livre só quis saber da "censura". Haja saco.
Eu queria ter tempo e paciência para analisar a Resolução Política como um todo. Eu queria fazer blague com a claque berrando "Dirceu-guerreiro-do-povo-brasileiro". Eu queria comentar uma decisão que restringe a reeleição sucessiva para mandatos parlamentares - alguém acredita que os caciques do partido vão deixar que isso aconteça?
Eu queria criticar o PT. O partido vem merecendo muita crítica. Mas quando a gente lê os nossos melhores órgãos de comunicação... aí só dá vontade de botar a estrelinha vermelha no peito.
A imprensa livre não critica os defeitos do PT. Ela demoniza as qualidades.
Brasil
O PT, a censura e a carne debaixo do angu
A combatividade da imprensa livre contra a censura petista causa espécie. Esses caras nunca foram tão democratas assim. Defenderam a ditadura enquanto deu. Mesmo hoje, a Folha de SP, por exemplo, não se envergonha de censurar um pequeno blog satírico, a "Falha de SP".
Tem carne debaixo do angu, sim. Mas esse angu é servido nos banquetes da meia-dúzia de famílias que controlam os meios de comunicação do Brasil. Olha só onde pega:
- Aumentar a concorrência, distribuir melhor as verbas de publicidade, regionalizar. Nada disso. O negócio é cantar sozinho no terreiro, abocanhar a grana todinha e concentrar tudo no eixo Rio-SP.
- Garantir o direito de resposta. Que isso? Então a imprensa livre vai perder o sagrado direito de caluniar e difamar à vontade?
- Vedar concessões de radiodifusão a quem exerce cargo público. E a minha boquinha?
E principalmente:
- Vedar a propriedade cruzada, ou seja, o controle pelo mesmo grupo empresarial dos jornais, das revistas, das rádios, das TVs, dos meios de difusão e da produção de conteúdo, etc. Te lembra alguma famiglia que erigiu seu império global durante a ditadura? Pois é.
Propriedade cruzada sem restrição é jabuticaba - só tem no Brasil. Mesmo nos Estados Unidos - país campeão do capitalismo sem freios - tem algum controle. É que a comunicação de massas é um negócio muito sério. Sério demais para ser controlado por meia-dúzia de famílias.
A combatividade da imprensa livre contra a censura petista causa espécie. Esses caras nunca foram tão democratas assim. Defenderam a ditadura enquanto deu. Mesmo hoje, a Folha de SP, por exemplo, não se envergonha de censurar um pequeno blog satírico, a "Falha de SP".
Tem carne debaixo do angu, sim. Mas esse angu é servido nos banquetes da meia-dúzia de famílias que controlam os meios de comunicação do Brasil. Olha só onde pega:
- Aumentar a concorrência, distribuir melhor as verbas de publicidade, regionalizar. Nada disso. O negócio é cantar sozinho no terreiro, abocanhar a grana todinha e concentrar tudo no eixo Rio-SP.
- Garantir o direito de resposta. Que isso? Então a imprensa livre vai perder o sagrado direito de caluniar e difamar à vontade?
- Vedar concessões de radiodifusão a quem exerce cargo público. E a minha boquinha?
E principalmente:
- Vedar a propriedade cruzada, ou seja, o controle pelo mesmo grupo empresarial dos jornais, das revistas, das rádios, das TVs, dos meios de difusão e da produção de conteúdo, etc. Te lembra alguma famiglia que erigiu seu império global durante a ditadura? Pois é.
Propriedade cruzada sem restrição é jabuticaba - só tem no Brasil. Mesmo nos Estados Unidos - país campeão do capitalismo sem freios - tem algum controle. É que a comunicação de massas é um negócio muito sério. Sério demais para ser controlado por meia-dúzia de famílias.
Brasil
O PT, a censura, o angu e a carne
Ah, mas você está escondendo o jogo, Joel. A Resolução do Congresso ficou bonitinha. Mas debaixo do angu tem carne. Foi aprovada uma tal de "moção", onde o PT defende a censura à nossa imprensa livre.
OK. Vamos à moção. Quem entende de plenária sabe que moção não tem a menor importância. Aprova-se até apoio à guerrilha da Eritreia, mesmo sem saber onde diabos fica a Eritreia. Mas vamos lá.
A moção tem 4 mil palavras e também é muito chata. Você pode conferir a íntegra no site do partido. Mas vamos ao suco, ou seja, às propostas:
- Fortalecer o papel regulador do Estado, para promover a diversidade cultural, aumentar a concorrência, reduzir o preço, aumentar a qualidade e os investimentos privados em infraestrura.
- Garantir o acesso dos pobres e de quem mora nos rincões.
- Ampliar o investimento na rede pública.
- Afirmar a radiodifusão como serviço público, de caráter universal e relevância social.
- Criar um ambiente normativo para o meio digital que garanta os direitos individuais e o acesso isonômico a conteúdos e aplicações.
- Aprovar um marco civil da internet, tipificando os crimes do cyberespaço.
- Rever a legislação de direito autoral e propriedade intelectual.
- Vedar a concessão de meios de radiodifusão a políticos exercendo cargos públicos.
- Vedar formas de concentração empresarial, como a propriedade cruzada, que levem ao abuso do poder econômico.
- Democratizar a distribuição de verbas públicas de publicidade.
- Participar do debate sobre a criação de conselhos sociais de comunicação.
- Estimular o desenvolvimento cultural regional.
Para o PT, o novo marco regulatório deverá respeitar:
- A liberdade de expressão e de imprensa e a vedação à censura;
- A garantia dos direitos do cidadão, da infância e da adolescência;
- A pluralidade de fontes de informação;
- O fortalecimento da cultura brasileira;
- O fortalecimento da indústria nacional criativa, especialmente a produção audiovisual independente.
- O direito de acesso às redes de comunicação;
- O apoio às redes públicas e comunitárias de comunicações;
- A participação social na elaboração de políticas de comunicação, por meio de instâncias democráticas e representativas do conjunto da sociedade; e
- O desenvolvimento econômico regional e a desconcentração de oportunidades de negócio.
Ufa! E isso é só um resuminho que eu fiz. O assunto é tão importante que ultrapassei o limite que me imponho - cada post do blogzinho deve caber inteiro na tela.
Você pode concordar ou discordar das propostas. Cada uma delas merece debate. Mas... censura? Para com isso!
Ah, mas você está escondendo o jogo, Joel. A Resolução do Congresso ficou bonitinha. Mas debaixo do angu tem carne. Foi aprovada uma tal de "moção", onde o PT defende a censura à nossa imprensa livre.
OK. Vamos à moção. Quem entende de plenária sabe que moção não tem a menor importância. Aprova-se até apoio à guerrilha da Eritreia, mesmo sem saber onde diabos fica a Eritreia. Mas vamos lá.
A moção tem 4 mil palavras e também é muito chata. Você pode conferir a íntegra no site do partido. Mas vamos ao suco, ou seja, às propostas:
- Fortalecer o papel regulador do Estado, para promover a diversidade cultural, aumentar a concorrência, reduzir o preço, aumentar a qualidade e os investimentos privados em infraestrura.
- Garantir o acesso dos pobres e de quem mora nos rincões.
- Ampliar o investimento na rede pública.
- Afirmar a radiodifusão como serviço público, de caráter universal e relevância social.
- Criar um ambiente normativo para o meio digital que garanta os direitos individuais e o acesso isonômico a conteúdos e aplicações.
- Aprovar um marco civil da internet, tipificando os crimes do cyberespaço.
- Rever a legislação de direito autoral e propriedade intelectual.
- Vedar a concessão de meios de radiodifusão a políticos exercendo cargos públicos.
- Vedar formas de concentração empresarial, como a propriedade cruzada, que levem ao abuso do poder econômico.
- Democratizar a distribuição de verbas públicas de publicidade.
- Participar do debate sobre a criação de conselhos sociais de comunicação.
- Estimular o desenvolvimento cultural regional.
Para o PT, o novo marco regulatório deverá respeitar:
- A liberdade de expressão e de imprensa e a vedação à censura;
- A garantia dos direitos do cidadão, da infância e da adolescência;
- A pluralidade de fontes de informação;
- O fortalecimento da cultura brasileira;
- O fortalecimento da indústria nacional criativa, especialmente a produção audiovisual independente.
- O direito de acesso às redes de comunicação;
- O apoio às redes públicas e comunitárias de comunicações;
- A participação social na elaboração de políticas de comunicação, por meio de instâncias democráticas e representativas do conjunto da sociedade; e
- O desenvolvimento econômico regional e a desconcentração de oportunidades de negócio.
Ufa! E isso é só um resuminho que eu fiz. O assunto é tão importante que ultrapassei o limite que me imponho - cada post do blogzinho deve caber inteiro na tela.
Você pode concordar ou discordar das propostas. Cada uma delas merece debate. Mas... censura? Para com isso!
Brasil
Ainda o PT, ainda a censura
Eis a resolução do PT, no que diz respeito aos meios de comunicação:
O 4º Congresso "convoca o partido e a sociedade na luta pela democratização da comunicação no Brasil, enfatizando a importância de um novo marco regulatório para as comunicações no País, que, assegurando de modo intransigente a liberdade de expressão e de imprensa, enfrente questões como o controle de meios por monopólios, a propriedade cruzada, a inexistência de uma Lei de Imprensa, a dificuldade para o direito de resposta, a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam do assunto, a importância de um setor público de comunicação e das rádios e televisões comunitárias. A democratização da mídia é parte essencial da luta democrática em nossa terra."
Algum problema? Alguém é contra a defesa intransigente da liberdade de expressão e de imprensa? Alguém desconhece a concentração dos meios de comunicação de massas em umas poucas famílias? Alguém acha que o direito de resposta é super-garantido hoje em dia? Alguém acha que a legislação de rádio e TV, que é da década de 60, está atualizadíssima?
Enfim: alguém é contra regulamentar a Constituição? Isso é um trabalho que nosso Congresso já devia ter feito há mais de 20 anos.
Eis a resolução do PT, no que diz respeito aos meios de comunicação:
O 4º Congresso "convoca o partido e a sociedade na luta pela democratização da comunicação no Brasil, enfatizando a importância de um novo marco regulatório para as comunicações no País, que, assegurando de modo intransigente a liberdade de expressão e de imprensa, enfrente questões como o controle de meios por monopólios, a propriedade cruzada, a inexistência de uma Lei de Imprensa, a dificuldade para o direito de resposta, a regulamentação dos artigos da Constituição que tratam do assunto, a importância de um setor público de comunicação e das rádios e televisões comunitárias. A democratização da mídia é parte essencial da luta democrática em nossa terra."
Algum problema? Alguém é contra a defesa intransigente da liberdade de expressão e de imprensa? Alguém desconhece a concentração dos meios de comunicação de massas em umas poucas famílias? Alguém acha que o direito de resposta é super-garantido hoje em dia? Alguém acha que a legislação de rádio e TV, que é da década de 60, está atualizadíssima?
Enfim: alguém é contra regulamentar a Constituição? Isso é um trabalho que nosso Congresso já devia ter feito há mais de 20 anos.
Brasil
O PT quer censurar a imprensa (ou é o contrário?)
Ah, a Lucia Hippolito! Ela não me deixa sem assunto. Há algum tempo que eu não me divertia com as diatribes da jornalista-socióloga-psicóloga-cientista-política-bebum-e-defensora-intransigente-da-democracia-contra-a-ditadura-do-PT. É que eu tenho preferido deixar a TV ligada na Globo News de manhã, ao invés de ouvir a CBN. A Globo News sempre tem uma que outra entrevista interessante.
Mas hoje o engarrafamento estava pior que o costume, e pude ouvir a Lucia na rádio. Ela está preocupadíssima com o "controle social da midia", que teria sido aprovado no 4º Congresso do PT. A Lucia afirma: "eu não sei bem o que é isso". E um minuto depois: "é censura". Afinal, ela sabe ou não sabe?
A Resolução Política do Congresso tem mais de 11 mil palavras e é um texto chato à beça, como costumam ser as resoluções políticas. Mas não fala em "controle social da midia". Fala em controle da inflação, controle externo do Judiciário, controle da valorização cambial, mas não, não tem controle da mídia. Ou melhor, tem sim: quando critica o controle dos meios de comunicação por monopólios. Melhor seria dizer oligopólios, mas acho que a palavra é sofisticada demais para o petista médio.
A Lucia está muito preocupada com um projeto que está no Ministério das Comunicações, de autoria do ex-ministro Franklin Martins. Ela não conhece o texto, mas garante que é uma coisa horrível. E deve ser mesmo. Para embasar sua proposta cerceadora da sagrada liberdade de imprensa, o Franklin viajou para países dominados por horríveis ditaduras, como Cuba, Venezuela e Coreia do Norte. Não??? Não foi isso? Ele foi conhecer as legislações da Inglaterra, da França e da Espanha, entre outros países de tradição democrática? Então esquece. Não está mais aqui quem falou.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Futebol
Só com o Botafogo
Aqui no Rio, a torcida do Botafogo é conhecida pelo chororô. Como se lamentam, os sofredores da estrela solitária! O Botafogo é vítima de todos os complôs. As teorias conspiratórias incluem o Flamengo e o Corínthians, o PSDB e o governo do PT, a CBF e a Rede Globo, o Mossad e a CIA - todos mancomunados para acabar com a raça alvinegra.
Pois dessa vez eles estão chorando com razão. O Botafogo vem jogando direitinho, subindo na tabela e ameaçando chegar lá. Neste fim-de-semana, com mais uma derrota do Corínthians, o clube do Pato Donald podia abocanhar a liderança. Era só ganhar do Santos, que não parece muito ligado na competição.
Mas o Santos teve três convocados para a seleção. E a CBF adiou o jogo.
Jogadores de outros sete times foram convocados. Quase sempre era o craque do elenco. O São Paulo jogou não sei quantas rodadas sem os meninos da seleção sub-20, que dão molho ao time. Os sucessivos adiamentos de jogos do Santos são mais que suspeitos.
Calma, amigos alvinegros. Vocês são os líderes morais desta rodada. Mas lembrem: a liderança só vale mesmo é no fim do campeonato...
Aqui no Rio, a torcida do Botafogo é conhecida pelo chororô. Como se lamentam, os sofredores da estrela solitária! O Botafogo é vítima de todos os complôs. As teorias conspiratórias incluem o Flamengo e o Corínthians, o PSDB e o governo do PT, a CBF e a Rede Globo, o Mossad e a CIA - todos mancomunados para acabar com a raça alvinegra.
Pois dessa vez eles estão chorando com razão. O Botafogo vem jogando direitinho, subindo na tabela e ameaçando chegar lá. Neste fim-de-semana, com mais uma derrota do Corínthians, o clube do Pato Donald podia abocanhar a liderança. Era só ganhar do Santos, que não parece muito ligado na competição.
Mas o Santos teve três convocados para a seleção. E a CBF adiou o jogo.
Jogadores de outros sete times foram convocados. Quase sempre era o craque do elenco. O São Paulo jogou não sei quantas rodadas sem os meninos da seleção sub-20, que dão molho ao time. Os sucessivos adiamentos de jogos do Santos são mais que suspeitos.
Calma, amigos alvinegros. Vocês são os líderes morais desta rodada. Mas lembrem: a liderança só vale mesmo é no fim do campeonato...
Viver no Rio
Para quem precisa de polícia
Alguém achou que a pacificação do Rio ia ser moleza? Neste fim-de-semana, foram dois confrontos em comunidades.
Na Cidade de Deus, um grupo saiu de um baile funk e resolveu "esticar" jogando pedras e garrafas contra a sede da UPP. Um policial foi ferido.
No Morro da Alvorada, no Alemão, soldados do Exército mandaram bala nos frequantadores de um boteco. Balas de borracha - eles não tinham outras. Ah, eles usaram também delicados sprays de pimenta.
A porrada começou por causa de uma confusão banal sobre o volume da TV do bar, que transmitia um jogo. Os tuiteiros da @vozdacomunidade documentaram tudo. Apanhou homem, mulher, criança, quem assistia ao jogo e quem voltava da missa.
É preciso lembrar: a garotada da @vozdacomunidade apoiou a ocupação da comunidade e vibrou com expulsão dos traficantes. Mas eles exigem respeito. Não querem só trocar de opressor.
Alguém achou que a pacificação do Rio ia ser moleza? Neste fim-de-semana, foram dois confrontos em comunidades.
Na Cidade de Deus, um grupo saiu de um baile funk e resolveu "esticar" jogando pedras e garrafas contra a sede da UPP. Um policial foi ferido.
No Morro da Alvorada, no Alemão, soldados do Exército mandaram bala nos frequantadores de um boteco. Balas de borracha - eles não tinham outras. Ah, eles usaram também delicados sprays de pimenta.
A porrada começou por causa de uma confusão banal sobre o volume da TV do bar, que transmitia um jogo. Os tuiteiros da @vozdacomunidade documentaram tudo. Apanhou homem, mulher, criança, quem assistia ao jogo e quem voltava da missa.
É preciso lembrar: a garotada da @vozdacomunidade apoiou a ocupação da comunidade e vibrou com expulsão dos traficantes. Mas eles exigem respeito. Não querem só trocar de opressor.
Sobreviver em Sumpaulo
Polícia para quem precisa
Deu no G1. De cada 5 pessoas assassinadas este ano em Sumpaulo, uma foi morta pela polícia. Foram 629 homicídios na capital caipira, de janeiro a julho. 128 foram obra dos valorosos agentes da lei.
O deputado estadual Adriano Diogo, do PT, diz que esses dados estão subdimensionados. "A execução está liberada no estado", ele garante.
Precisa dizer? As vítimas são negros e jovens pobres.
A última estrepulia dos criminosos, quer dizer, dos policiais paulistas, foi gravada em vídeo por eles mesmos. Mostra uma homem baleado agonizando enquanto o autor da gravação se diverte: "estrebucha, filho da p*... estrebucha, vai!" Pode-se ouvir o som do carro da polícia e ver o cinto e a bota do uniforme da PM. Há um outro ferido deitado no chão.
O caso aconteceu em 2008, mas o vídeo só apareceu agora. Um dos baleados morreu. O outro, sobrevivente, é um sujeito cauteloso e não lembra de jeito nenhum da cara dos policiais.
Deu no G1. De cada 5 pessoas assassinadas este ano em Sumpaulo, uma foi morta pela polícia. Foram 629 homicídios na capital caipira, de janeiro a julho. 128 foram obra dos valorosos agentes da lei.
O deputado estadual Adriano Diogo, do PT, diz que esses dados estão subdimensionados. "A execução está liberada no estado", ele garante.
Precisa dizer? As vítimas são negros e jovens pobres.
A última estrepulia dos criminosos, quer dizer, dos policiais paulistas, foi gravada em vídeo por eles mesmos. Mostra uma homem baleado agonizando enquanto o autor da gravação se diverte: "estrebucha, filho da p*... estrebucha, vai!" Pode-se ouvir o som do carro da polícia e ver o cinto e a bota do uniforme da PM. Há um outro ferido deitado no chão.
O caso aconteceu em 2008, mas o vídeo só apareceu agora. Um dos baleados morreu. O outro, sobrevivente, é um sujeito cauteloso e não lembra de jeito nenhum da cara dos policiais.
Mundo
Líbia
Os valorosos-rebeldes-combatentes-da-democracia-e-da-civilização mandaram avisar que terminaram as negociações com os representantes do antigo regime. Agora é botar para quebrar. Vão invadir Bani Walid, último reduto das tropas leais ao sanguinário-ditador-terrorista-genocida-e-cafona Muamar Kadafi.
Em mais um furo internacional, o Blog Bueno mostra como foram essas negociações:
Os valorosos-rebeldes-combatentes-da-democracia-e-da-civilização mandaram avisar que terminaram as negociações com os representantes do antigo regime. Agora é botar para quebrar. Vão invadir Bani Walid, último reduto das tropas leais ao sanguinário-ditador-terrorista-genocida-e-cafona Muamar Kadafi.
Em mais um furo internacional, o Blog Bueno mostra como foram essas negociações:
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