Blog Bueno

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Crônica de costumes

Politicamente (in)correto - 2

Criticar as posições "politicamente corretas" é um negócio complicado. Por dois motivos principais.

O primeiro é circunstancial. É que o "politicamente incorreto" foi sequestrado pela direita. Quem adota o termo escreve revisões históricas a favor das classes dominantes, faz piadas sem graça nenhuma com temas como estupro ou Aids, expõe seus preconceitos abomináveis como se fossem pérolas do pensamento livre e independente.

O segundo motivo é mais estrutural. Ser politicamente correto, ao invés de ser uma orientação bem intencionada, virou dogma. Qualquer reparo aos temas, aos militantes, aos movimentos "politicamente corretos" te joga de imediato na lata de lixo da História, sem necessidade de análise do que você disse. Claro que isso não é sempre, nem em todos os ambientes. Mas acontece com mais frequência do que seria desejável.

Exemplo. No Rio, tem uma vereadora que gostaria de proibir o uso da palavra "enfezado". Ela diz que é racismo. Para mim, um sujeito enfezado está de mau humor, como ficam as pessoas com prisão de ventre. Para ela, a palavra remete aos escravos que levavam o esgoto das casas para a vala da cidade. Eram escravos "enfezados". Duvido da etimologia. E mesmo que esteja correta, não tem nada a ver com o significado atual da palavra. Mas vai discutir isso! Ela te transforma de imediato num defensor da supremacia branca.

Calma, gente! Nenhuma criança vai maltratar os animais só porque canta "atirei o pau no gato". O humor judaico é feito por judeus, os gays se tratam entre si com os termos mais hilários e muita seriedade faz mal ao fígado. Ah! E as piadas de louras são sempre curtinhas que é para os homens conseguirem entender.
 

4 comentários:

silvia disse...

excelente post!

Blog do salgadeiro disse...

Lí uma vez que os infelizes que tinham esse trabalho eram chamados de "tigres". Isso porque muitos tinham problemas de pele e ficavam com manchas. Dizem que se alguém viesse caminhando em sentido contrário a um deles, numa das ruas do Rio de então, eles muitas vezes simulavam um tropeço e jogavam um tanto no incauto transeunte.

Joel Bueno disse...

Tks, Silvia.

Também os conheço como "tigres", salgadeiro. Mas eles até podiam ser "enfezados". Não muda nada, no uso atual da palavra. Abç

Anônimo disse...

Gostei do post. A coisa do enfezado para os negros que cuidavam dos dejetos sólidos dos brancos, sei, por historiadores amigos meus, que também era usado o termo trigrados, na medida em que com as carriolas cheias de 'merda' que é meio líquida, meio pastosa, as rodas iam tiriritando pelas ruas feitas de pedra, tipo 'pé de moleque' (só não sei quem veio antes se o doce ou o calçamento, - o que eu sei é que o pé do moleque já existia, só também não entendo por que ele estaria identificado ao tipo de calçamento ou ao doce) e daí a coisa toda ia espirrando pela pele dos coitados que ficavam manchadinhos de merda, e com certeza maucheirozinhos. E, depois tem gente que é contra as cotas!!!
Só pra terminar, eu conheceia a palabra enfezada ligada a coisa das mulheres que sofrem mais que os homens com prisão de ventre, e daí, que elas ficariam enfezadas com tudo, ou seja, cheias de fezes para expelir...Tadinhas.

Ismar Curi

Web Analytics