Apolônio
Jorge Amado o chamou de "herói de três pátrias". Porque ele lutou no Brasil, contra a ditadura de Getúlio e contra a ditadura de 64; na guerra civil espanhola, contra o fascismo; na resistência francesa, contra o nazismo. Não é para qualquer um.
A Espanha lhe concedeu cidadania. A França o condecorou com a Légion d'Honneur, galardão máximo do país. Do Brasil ele recebeu outras homenagens. Em 1935, foi expulso do exército e encarcerado. Em 1946, foi forçado à clandestinidade. Em 1964, novamente clandestino, passou a viver longe da família. Em 1969, foi preso e torturado. Em 1970, foi banido. Até 1979, ele viveu no exílio.
Ele era comunista. Mas foi crítico da linha do partido a partir da década de 50, quando o famoso relatório de Kruschev denunciou os crimes de Stalin. Em 1967, se desligou do PCB e fundou o PCBR - Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, junto com nomes como Mário Alves e Jacob Gorender. Em 1980, ele assinou a ficha número 1 de filiação ao Partido dos Trabalhadores. Participou da direção do PT até 1987, quando se retirou por recomendação médica.
Apolônio de Carvalho morreu em 2005 e faria 100 anos hoje. Não sei se ensinam seu nome aos jovens, nas aulas de História. Mas deviam.

3 comentários:
Do Brasil, Apolônio de Carvalho acaba de receber uma grande HOMENAGEM.
Do espetacular Blog Bueno.
Essa homenagem vale muito. De onde estiver olhando, Apolônio vai sorrir ao ler essa postagem do Joel.
Embora devesse, esse personagem ainda não consta das aulas de História. Hoje, para conhece-lo melhor, vale uma visita ao Arquivo Nacional, depositário de todo seu acervo pessoal doado pela família.
Eu passei anos e anos achando que ele se chamava Apolinário Dias. É que eu fiquei sabendo dele através dos Subterrâneos da Liberdade, trilogia de Jorge Amado (pre-ABL) que conta a história do PCB (autêntico). Muito tempo depois, quando eu queria me referir ao Apolônio, ainda trocava por Apolinário.
Ia me esquecendo, na obra de Jorge Amado (pre-tucano), o nome dele é Apolinário Dias.
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