Futebol-totó (*)
Eu gosto do time de Portugal. A minha filha Joana não gosta. Ela deve estar certa, porque entende muito mais de futebol que eu. Mas eu gosto. Portugal tem uma defesa razoável; um meio-de-campo com três carregadores de piano, mas que tocam bem as partituras mais simples; o Nani e o Cristiano Ronaldo na frente. O problema é o centro-avante, o Helder Postiga, que é ruim de doer.
Eu colocaria o Ronaldo pelo meio e o Varela pela ponta. Mas o técnico lusitano faz o contrário. Arma o time todo duro, cada um na sua caixinha, como se fosse totó. Na derrota para a Alemanha, chegou a irritar. O Cristiano Ronaldo ficava batendo papo com o bandeirinha, enquanto o Postiga arrancava tufos de grama na grande área.
A Dinamarca tem um time esquecível. Basta dizer que seu principal atacante, o Bendtner, era reserva do reserva no Arsenal. Na última temporada, ele foi emprestado para o Sunderland. O Sunderland é mais ou menos o Atlético Goianiense da liga inglesa. Tem também o Eriksen, meia-atacante promissor. O resto é tudo uns caras fortes que correm muito. Tira um, põe outro, dá na mesma.
Portugal abriu dois a zero. Até o Postiga fez o seu. Aí deu a bola para a Dinamarca. Tanto recuou que cedeu o empate. Palmas para o Bendtner, aquele do Atlético Goianiense, que marcou os dois gols.
No desespero, o técnico tirou um volante e colocou o Varela. O Cristiano Ronaldo foi para a área. Mas não era dia dele. Não acertava uma. Até furar a bola na marca do pênalti o gajo conseguiu. No finzinho, no sufoco, o Varela fez um gol esquisito, mas gol esquisito também vale.
Agora só falta a Holanda ganhar da Alemanha e ficar todo mundo igual no grupo.
(*) para paulistas: pebolim. para gaúchos: fla x flu.

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